segunda-feira, 21 de junho de 2010

Dos desejos meus...





Um brinde ao meu incessante esperar poder, em alguma madrugada, ser despertada por você.
Um gole por esse corpo estranho que em mim ora habita e põe meu coração aos pulos, o estômago a roer e as vísceras a revirar.
Um trago por essa impossibilidade de vomitar esse ser que teima em querer ser digerido pra compor células em meu corpo e, finalmente, poder permanecer aqui pra sempre. Um antalgésico por essa dor que me invade tronco, membros e deixa a cabeça com essa sensação de absoluta letargia. Um outro meio que não o de verter lágrimas na tentativa vã de expurgar a dolorida sensação de não encontrar um único ser dotado da capacidade de me fazer verdadeira companhia. Uma conveniente amnésia capaz de me fazer seguir e continuar sobrevivendo nessa tão desgraçada dimensão. Um chão que cesse esse aparente eterno cair num abismo frio e escuro, que é provavelmente o meu vazio interior. Um repentino solavanco que me desperte disso que mais parece um pesadelo do qual eu só quero acordar. Uma solidão maior do que a de seguir vivendo sem a sua tão sonhada presença. Uma alegria que supere a da possibilidade de realização de cada desejo. Uma força que nos aproxime, maior que essa que nos afasta.




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