segunda-feira, 21 de junho de 2010

Dos fenômenos sem controle...






Os sentimentos que em mim brotam pelos seres a minha volta, eu costumo enxergá-los em meu interior e senti-los muito fisicamente.
Sinto-os nascerem no meio do meu corpo. É como um farol, uma luz amarela saindo pelo diafragma. Quase todos os meus sentimentos de paixão ou amor por alguém costumam nascer assim.

Mas lembro de uma vez que meu sentimento por um homem refletiu-se em minha fronte, a região do chamado Terceiro Olho: eu podia jurar que em alguns momentos minha cabeça ia abrir, bem no meio da minha testa.
Já houve caso do reflexo vir no meio do peito, me causando uma dor aguda como se uma agulha longa e espessa fosse enfiada ali dezenas de vezes por dia.
Mas também já senti algo parecido na nuca, um peso no crânio, as pernas bambas e enfraquecidas, dor nas costas como se fossem brotar asas, mas todos se caracterizavam por virem de dentro para fora... exceto esse... esse fez o caminho inverso...
Como uma aura nova tentando se adequar a minha, ele veio de fora para dentro. Foi chegando e trazendo uma alegria doce com uma luz cintilante. Luz que pairou em meus olhos e deu a eles uma nova direção a seguir.
Por não ter certeza do que estava recebendo, eu resolvi manter a luz ao meu lado. Apesar da dúvida, eu não quis apagá-la. E cada vez que ela se aproximava de mim, eu podia notar uma sensação de aconchego, frisson, proteção, companhia.
Olhava aquela luz ao meu lado querendo tomar posse do meu corpo e aquilo me causava um medo agonizante.
Como me apegar aquele ser que, ao mesmo tempo, se aproximava e se mostrava querer fugir?
E foi numa manhã fria que acordei com minha aura alterada: um interior azul-petróleo-profundo, com bordas num rosa estonteante e pontas num laranja incandescente. A luz ao meu lado havia sumido.
Eu a tinha em mim.
O sentimento refletia-se no corpo inteiro. E não doía. Me trazia paz e serenidade. Mas, de vez em quando, sentia que um frisson incontrolável me invadia.

Pela primeira vez percebia em mim um sentimento equilibrado. Com todos os amores vindo à tona: fraternal, carnal, platônico, paternal, todos! Só amor. Sem distinção, ou definição.
Mas eu não queria que fosse chama, mas que fosse luz. Composta de moléculas de energia que nunca morrem, apenas se transformam.
Não queria que fosse infinito enquanto durasse, mas que durasse o suficiente para infinito ser.

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