quinta-feira, 1 de julho de 2010

E assim caminha a humanidade...





Acredito que a maioria de nós já deva ter-se perguntado como ou onde nós, seres humanos, surgimos?

Essa é uma questão que nos inquieta a todos há muito tempo. As respostas já variaram muito e continuam variando até hoje. As primeiras explicações foram dadas pelo homem através da Mitologia. Por meio de uma linguagem simbólica, de personagens reais ou imaginários, lugares sobrenaturais e de acontecimentos extraordinários, os nossos antepassados deram diferentes explicações para o surgimento do homem e do Universo. O ponto em comum, entre essas explicações, é o fator divino que davam a essa criação. Já as explicações científicas surgiram apenas a partir do final do século XVIII, dividindo tais explicações em Evolucionismo e Criacionismo.



Para muitos historiadores, foi no continente africano que surgiram nossos primeiros ancestrais, pois foi ali que encontraram os fósseis humanos mais antigos.



Os Australopithecus - termo que significa "macaco do Sul" - estão entre os primeiros hominídeos. Viveram na África há aproximadamente 4 milhões de anos. Caminhavam de pé (bipedismo), tinham dentes molares relativamente fortes e resistentes e um cérebro de, em média, 570 cm³ de volume. Supõe-se que se alimentavam, essencialmente, de vegetais, gramíneas, raízes, sementes e brotos. Entretanto, algumas espécies de Australopithecus também se alimentavam de lagartos, ovos e pequenos mamíferos.

Por volta de dois milhões de anos atrás, a "árvore" da família dos hominídeos apresentava dois ramos principais: o da espécie de Australopithecus, cujos membros se extinguiram há cerca de um milhão de anos, e o das espécies do gênero Homo (Homo habilis, Homo erectus, Homo neanderthalensis, Homo sapiens sapiens), desta forma, chegando aos seres humanos atuais.

Para Cláudio Vicentino - bacharel e licenciado em Ciências Sociais pela USP -, foi no período da História classificado como Paleolítico que os hominídeos passaram por diversas fases da evolução, do Australopithecus até o Homo sapiens sapiens.



Nesse período, nossos ancestrais viviam da coleta de frutos e raízes, da caça e da pesca. Organizavam-se em bandos e habitavam cavernas ou cabanas feitas com galhos e folhas de árvores, semelhantes aos acampamentos de hoje.

A total dependência do meio natural obrigava as comunidades a migrar para outros lugares em busca de alimentos, ou fugir de alguma ameaça natural (inundação, excesso de frio ou calor, etc.). Essas comunidades não tinham habitação fixa e estavam sempre mudando de lugar, por isso eram chamadas nômades. E o nomadismo, uma das principais características de nossos antepassados, foi responsável pela povoação do Planeta.

O período da Pré-história é maior que todos os outros períodos que surgiram depois da escrita. Para se ter noção, caso nós pudéssemos retratar toda a História da humanidade em um filme de 3 horas, duas horas, 59 minutos e 45 segundos seriam dedicados à Pré-história e somente 15 segundos à História a partir da escrita.

Alguns estudiosos devem a nossa evolução ao surgimento da Arte nas vidas de nossos antepassados. Para Lasar Segall, "a Arte surge da ânsia de comunhão e compreensão entre homem e homem, homem e sociedade, homem e mundo".



O conhecimento da Arte faz com que tenhamos uma compreensão do mundo onde a dimensão poética se faça presente. A Arte nos ensina que é possível transformar continuamente a existência, que é preciso mudar nossas referências a cada momento, que podemos ser flexíveis. Isso faz com que possamos entender que o ato de criar e conhecer são indissociáveis e que a flexibilidade é uma das primordiais condições no ato de aprender.

Estar alheio à Arte é ser limitado. É deixar que a dimensão do sonho nos escape. É não conseguirmos nos comunicar com os objetos a nossa volta. É desconhecer a sonoridade instigante da poesia, das criações musicais, das cores e formas, dos gestos e luzes que dão sentido à vida.

Desenhar um mamute numa parede de pedra possibilitou ao homem não apenas o surgimento da Arte. Pois o hominídeo responsável pelo desenho na pedra não o executou apenas. Provavelmente,  por uma série de motivos, demonstrou a outros como fazê-lo. Desse gesto nasce o Ensino... E, do ato de ensinar, a Educação.


Arte e Educação.

Duas peças fundamentais para que se fizesse existir a evolução humana.



Como se pode notar, cientificamente, o ser humano passou por várias etapas em seu processo evolutivo para chegar ao que é hoje. Essa evolução, de acordo com a Ciência, foi iniciada há mais de 5 milhões de anos e, durante esse período, os descendentes dos primeiros hominídeos espalharam-se por todo o Planeta.

No decorrer deste tempo, nossa espécie desenvolveu habilidades, técnicas e criou instrumentos, passando a ter recursos mais eficientes do que apenas a sua condição física para que pudesse enfrentar as dificuldades impostas pelo meio no qual vivia.



Possuidores de um cérebro extraordinário, nós fomos capazes de criar e descobrir, de aliar trabalho à criatividade, de construir nosso mundo, de produzir bens materiais e também não-materiais. Além disso, ainda desenvolvemos a Linguagem, um meio mais do que eficiente para que houvesse comunicação entre os indivíduos de nossa espécie. Desta forma, transmitimos, acumulamos ou transformamos os conhecimentos adquiridos desde o período no qual aqui surgimos.

Segundo os cientistas, somos seres dotados de um saber reflexivo. Por isso, biologicamente, somos classificados como um "ser que sabe que sabe" (Homo sapiens sapiens). Afirmação que nos diferencia dos outros animais, pois estes outros sabem (algumas coisas), mas certamente não sabem que sabem.

Somos capazes de realizar grandes mudanças em nossa forma de viver. Por construirmos um saber reflexivo, nós podemos observar, refletir, analisar e julgar o que nos cerca. Podemos questionar o passado, modificar o presente e planejar o futuro. Somos, simultaneamente, criaturas e criadores do mundo no qual vivemos. Somos fruto do meio, mas não nascemos prontos. Graças ao nosso cérebro pensante, estamos num constante nascer e renascer no que tange nosso desenvolvimento e aprendizado. O que faz com que nossas vidas sejam um processo eterno de modificações e transformações.

Mas... Será? Será que somos de fato tudo isso?

Eu já acreditei que fôssemos muito mais. Entretanto, há alguns anos tenho me esforçado muito para não deixar de acreditar.


Trabalhar na área da educação desde 1997 tem-me possibilitado conviver com os mais variados tipos evolutivos de nossa tão vasta e valorosa espécie. Pois o que presencio está longe ser considerado atitudes de um Homo sapiens sapiens. Não que esta possibilidade se restrinja apenas a pessoas cujo trabalho envolva a área da Educação. A quem interessar possa, basta abrir os olhos e ver que isto está ocorrendo por todos os lados. Mas, devo dizer que, há alguns anos, tenho convivido diariamente com Australopithecus... com centenas deles. E (impressionante) como se reproduzem rápido!


Difíceis de serem tolerados por perto, estes seres, geralmente, desconhecem hábitos de higiene: andam sujos, fedidos, maltrapilhos, com seus hálitos podres, ora por fome ora por total ausência de limpeza.

Usuários de uma linguagem rudimentar, aliada a uma péssima dicção (talvez devido ao pouco uso da fala, pois o uso de gestos para se comunicarem tem se tornado cada dia mais comum), faz com que seja necessário um esforço mental enorme para que se possa compreender o que dizem. Suas formas de cumprimento são primitivas e muitas vezes dotadas de certa agressividade.

As fêmeas da espécie expõem seus corpos o máximo que podem, no intuito de atrair o maior número possível de machos, pois estão sempre disputando por eles (está se tornando comum haver mais mulheres que homens em vários lugares do mundo). E, como não possuem noção de educação, de harmonia ou de higiene, pouco importa a condição do corpo - acima ou abaixo do peso, bem ou mal cuidado, limpo ou sujo -, o importante mesmo é que esteja exposto e pronto (entenda-se "pronto" como estar fisicamente disposto) para o acasalamento.

O que chamam de música é um amontoado de notas irritantes e quando adicionam alguma letra é melhor nem ouvi-la. Caminham arrastando seus membros inferiores, como se estes pesassem mil quilos cada um. Não possuem noção de espaço, regras ou de limite. Nunca sabem onde podem correr, comer, falar, andar, atravessar, gritar, fazer suas necessidades fisiológicas e inclui-se nisto também o sexo, uma necessidade fisiológica que compõe o seu dia-a-dia muitas vezes antes dos doze anos de existência.

Quando seus hormônios sexuais iniciam o processo de maturação, não importa a hora, o local ou quem seja o outro espécime. Basta um breve olhar, um roçar de corpos e eles se acasalam mesmo. Devido a isso, quando menos se espera, estão procriando. E a responsabilidade sobre a prole nem sempre recai sobre quem a fez. Passam muitas vezes de mão em mão (tio, tia, avô, avó, FEBEM, Conselho Tutelar), até que adquiram tamanho suficiente para que “cuidem” de si mesmos (trabalhar ou roubar para mal e mal comer e vestir) e possam repetir os mesmos atos insanos de seus biológicos pais.

A divergência entre eles é algo corriqueiro. Na disputa por espaço (e, neste caso, é possível dar ao substantivo “espaço” uma variação imensa de significados, inclusive a luta por uma garrafa de cerveja), agridem-se fisicamente com extrema facilidade, chegando, não raras vezes, a tirar a vida do outro. Alguns matam por “necessidade” (fome, miséria, etc.). Outros por total ausência de limite e remorso.

A maioria não possui letramento. Entre eles quase não há indícios de vida espiritual (quando existe, discriminam, abominam, excluem de seus grupos ou mesmo matam aqueles que não possuem os mesmos dogmas). Costumam associar diversão ao uso constante de entorpecentes, noites de insônia perdidas em orgias, violência, jogos de azar e sexo fácil e inseguro.



São Australopithecus da Contemporaneidade, muitas vezes, com acesso à luz elétrica, televisão, cesta básica, Bolsa Família, vale Gás, motocicletas, celulares, merenda escolar, DVD’s piratas e internet. Primatas que andam de bicicleta, pilotam motos ou dirigem automóveis. Alguns possuem uma condição financeira muito boa, mas, geralmente, desconhece-se se há ou não licitude na forma de adquirir tal condição (esses aproveitam de suas posses para construir bombas, sustentar guerras, acuar indefesos). Mas esse é o caso de uma minoria deles. A verdade é que a maioria não tem acesso a informação, saúde, Educação (de facto), nem a oportunidades que lhes deem a possibilidade de evoluir e muito menos acesso ao conhecimento. E esses Hominídeos do século XXI estão se multiplicando com impressionante rapidez a cada dia.



Afastados da Linguagem, da Arte e do Conhecimento que lhes dão a possibilidade de serem de facto humanos, esquecidos, não apenas por nossos governantes, a esses seres, em visível estado involutivo, resta o recebimento mensal de esmolas para sua sobrevivência, e, de tempos em tempos, obrigatoriamente, depositarem seus impensados votos nas tão seguras e eletrônicas urnas eleitorais. Ou lhes resta ainda a possibilidade de lotar as enormes escolas (ou atualmente fábrica de medíocres) e penitenciárias (as conhecidas "universidades do crime"), deixando cada dia mais "gordos" os cofres públicos de seus devidos Municípios.

Não nos cabe calcular a parcela de culpa que cada um de nós tem por permitir que uma camada tão extensa da sociedade caia numa espécie de retrocesso no que se refere à evolução humana. Cabe a cada um de nós, os que ainda possuem capacidade de compreender esse texto, começar a olhar o mundo a nossa volta. Enxergando-o não somente com nossos olhos físicos, mas com os nossos olhos anímicos. Acreditando que tudo que ocorre ao nosso redor interfere incontrolavelmente em nossas vidas. Já vivemos demais para não percebermos que ao levantar o dedo estamos afetando a estrela mais próxima.

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara".



Referências:
CHARDIN, Theilhard de. O fenômeno humano. São Paulo: Cultrix, 1987.
COTRIM, Gilberto. História Global. São Paulo: Saraiva, 2005.
PARÂMETROS Curriculares Nacionais: arte. Brasília: A secretaria, 2001.
SARAMAGO, José de Souza. Ensaio sobre a Cegueira (PDF).
VICENTINO, Cláudio. Projeto Radix: História - v. 06. São Paulo: Scipione, 2009.
MATTOS, Cláudia Valladão de. Lasar Segall (Google Livros).

7 comentários:

  1. Aaaaafff... fico feliz e aliviada por saber... estava ansiosa por sua resposta.
    Muito obrigada!

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  2. http://macacoalfa.blogspot.com/

    Acredito ser...uma grande contribuição*
    NáJung..........

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  3. Bom texto. Análise sensível e perspicaz.
    Penso que o ápice da evolução da humanidade foi na década de 70. Depois disso, só involuímos.

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  4. Fabio, obrigada por ler e comentar. Abraços.

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  5. Eu já me perguntei se estamos evoluindo ou involuindo.
    Não me lembro se já escrevi, mas sei que já pensei "Assim caminhada a humanidade, e a passos largos, só não sei para onde".

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  6. Olá, Antonio João. Eu revivo esse texto todos os dias, seja indo pro trabalho ou estando nele. E posso te adiantar que não é fácil. Tento lembrar todos os dias que não adianta me desesperar. Enfim...
    Grata pelos 'rastros' deixados. :) Um abraço.

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