segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Uma Docilidade que Resiste aos Hodiernos Tempos




De uns anos pra cá, tornou-se comum vermos certa precocidade instalada nos rostinhos infantis. São meninos e meninas fantasiados de homens e mulheres, como verdadeiras miniaturas de adultos, ou “anõezinhos da contemporaneidade” como costumo chamá-los.
Por que tanta pressa? Temos o resto da vida para ser “gente grande”… uma missão nada fácil, devo acrescentar.
A verdadeira infância tem durado cada vez menos, extinguido violentamente aquela angelical ingenuidade do olhar. Basta o menino fazer dois anos pra começarem a perguntar: “Então, quantas namoradas você tem”?
Como assim, “namorada”?



O que um bebê de dois anos entende de “namorar”? Esse tipo de atitude contribui muito para que crianças e adolescentes aflorem sua sexualidade cada vez mais cedo. Não é à toa que, habitualmente, meninas de 11 ou 12 anos de idade estão se tornando mães. Absurdo!



Culpar a quem? Ou o quê? Réus, temos aos montes: televisão, mídia, internet, mães ausentes, filhos criados por babás, liberalidade extrema, supervalorização do sexo… Culpados temos muitos. A escassez é de corajosos que consigam dizer não a toda suposta normalidade ditada pelo mundo moderno. Ou de donos de personalidade forte o bastante para sustentar o óbvio: precisamos ter limites e, não, não precisamos repetir tudo que vemos como se não possuíssemos um cérebro pensante.



Fiquei analisando essas questões todas – e mais algumas – ao observar minha prima, cantando no púlpito da igreja, durante a celebração de seu décimo quinto aniversário. Uma das mais belas cenas que já presenciei e, sem dúvida, a mais bela comemoração de “quinze anos” que assisti.
Não era uma festa cheia de pompas, vestidos, valsas… Era uma igreja, um cerimonial simples, rituais sacros e amigos e familiares reunidos para celebrar de fato o aniversário de uma mocinha de 15 anos de idade.
Há muito não via uma. Não sei se lembram? Mas uma “mocinha de 15 anos” é aquela menina-moça, cujo corpo ainda está em desenvolvimento, meio menina, meio mulher. Que tem no olhar um misto de ingenuidade infantil e avidez pela vida. Que, geralmente, já teve um namoradinho e já teve seu primeiro beijo, mas só o primeiro beijo.







Há essas alturas você deve estar pensando: “Me desculpe, mas, atualmente, esta é a descrição de uma menina de dez anos”. E eu, infelizmente, vou ter que concordar. As meninas estão cada vez mais precoces, contudo para o lado negativo da precocidade: estão usando maquiagem mais cedo, largando os brinquedos mais cedo, assim como mais cedo estão menstruando, se expondo, beijando e transando.

No entanto, eu pude me sentir privilegiada em presenciar uma rara cena nos dias de hoje ao ver uma verdadeira “mocinha de 15 anos”: minha prima Laurainny Laurena¹ cantando o Salmo no púlpito da igreja ao celebrar seu décimo quinto aniversário.





¹ Pronuncia-se Lôrrãni Lôrena.

5 comentários:

  1. Concordo Alê, a infância está cada vez menor, antigamente era assim também, logo cedo já trabalhavam...

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  2. Este é um assunto com muitas vertentes. Precisaria de um livro pra tratar da metade.
    Seu comentário me fez lembrar trabalho infantil (uma realidade atroz), mas também me lembrou a exagerada proteção a crianças e adolescentes, transformando a justiça em mãe superprotetora: acaba estragando os filhos.
    Quem tem direitos demais, acaba tendo deveres de menos. Em virtude disso, entre outros fatores, as crianças e os adolescentes estão sem a menor noção de limite e da vida adulta (tão desejada por eles) querem apenas a liberdade de beber, fumar, transar... responsabilidade e respeito a si e aos outros, nem pensar.
    Enfim... obrigada pela visita, por ter lido o post, pelo comentário, pela oportunidade de escrever mais... Bjs...

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  3. Já pensava sobre isso a algum tempo. Até onde sei o princípio da cidadania é ter direitos e deveres e até onde sei as crianças e adolescentes só tem Direitos e quase nenhum dever. Não quer dizer que se deva abolir o ECA, mas de qualquer forma fica aí um fundamento a se pensar....

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  4. Prima, obrigada!
    Lembro como se fosse hoje uma simples comemoração, em que primeiro fomos pra missa e, depois se dirigimos a minha casa, onde estavam presente a nossa família e você leu a "carta". Hoje, relato o que senti!
    Muito obrigada pela homenagem..
    Te Amoo, estou com muitas saudades!!

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  5. Então, Loló. Como te falei, eu estava organizando meus arquivos quando encontrei a carta que escrevi pra você no dia de seu aniversário. Achei legal reescrevê-la e postar aqui.
    Que bom que gostou.
    Apesar da distância, lembro sempre de você e, claro, sinto saudades.
    Beijos e obrigada pela visita virtual... rs.

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