sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Hostilidade: fruto do ciúme ou do capricho?






Está aí um sentimento que, em maior ou menor grau, se faz presente em qualquer pessoa. O ciúme pode se manifestar por motivos bem variados, mas principalmente por medo de perder quem se ama ou a sua exclusividade.
Ao sentir ciúme de alguém, nossa forma de manifestá-lo pode variar de uma expressão de desagrado no rosto à violência física ou mesmo à morte. Ressaltando que o ciúme, na verdade, é um sentimento que se volta para quem o sente.
Acredito que qualquer pessoa já tenha sentido esse gostinho amargo pelo menos uma vez na vida. Ou já tenha sido o pivô dele em alguma situação. Sim, pois este é um sentimento que não ocorre apenas em relacionamentos como namoro, casamento ou os tão conhecidos casos amorosos. Pode ocorrer entre irmãos na disputa pela atenção da mãe, entre amigos com a aparição de alguém novo na turma, entre estudantes pela rivalidade de notas… as situações são incontáveis.
Eu, por exemplo, há algum tempo venho tentando lidar com o ciúme que meu único filho sente em relação a minha amiga mais próxima. As cenas já variaram muito: desde uma expressão facial de desagrado com a visita dela à expressão verbal para deixar bem claro o quanto ele se sentia incomodado com sua presença.
Várias vezes eu tive conversas com ele na tentativa de deixá-lo consciente de sua importância em minha vida para que se sentisse mais seguro. De vez em quando as conversas eram substituídas por broncas ou punições quando eu sentia que o limite se excedia.
Há pouco tempo comecei a notar que a situação estava escapando de meu controle. Tive então uma conversa dura com ele, chegando mesmo a dar-lhe uns safanões (não me venha com essa história de que não se deve bater para educar, pois eu apanhei de meus pais pra ser corrigida algumas vezes e nem por isso perdi um pedaço ou fiquei traumatizada. Claro que isso é muito diferente de espancamento).
Infelizmente, minha atitude não surtiu o efeito que eu queria e, depois de ver meu filho chutando o pacote de batata frita que minha amiga lhe oferecia, eu resolvi dar um basta à situação com a psicologia usada nos tempos de minha avó, quando criança não tinha só direitos, mas principalmente deveres. Quando criança estudava, mas nas horas livres podia muito bem executar algum trabalho de acordo com sua idade e tamanho que o ajudasse a crescer responsável e digno.
Talvez nos escondamos atrás da cortina do excesso de trabalho e das modernas formas de criação de filhos que nos deixam tão pacientes e compreensivos a ponto de estar criando um monstrinho dentro de casa e não notarmos. A hostilidade de meu filho estava se transformando em agressão física gratuita, pois ele não tinha motivo algum para agredir a quem sempre tentou de tudo para conquistá-lo.
Talvez eu tenha sido negligente deixando que o ciúme de meu filho se tornasse picardia para continuar ofendendo minha amiga protegido pelo estigma do filho único inseguro.

É bom que deixemos os olhos arregalados quando o assunto é precisar enxergar as artimanhas de nossas crias. Nosso amor por eles pode muitas vezes nos cegar. E nossa cegueira mental é muito pior que a cegueira física.

2 comentários:

  1. Bacana o post Alê, pode ajudar aos futuros pais como eu...rs

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  2. Rsrsrs... pois então lembre-se que no ato de criar filhos o aprendizado é diário. Aprendemos muito mais com eles do que os ensinamos... e a missão é dura, viu? Hehehe...

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