sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Dos Gênios da Contemporaneidade - 1





GUNTHER VON HAGENS

É impressionante a presença constante de comunistas em minha vida: quando menos espero, me deparo com um: leio um livro, gosto do conteúdo, vou estudar o autor, resultado: comunista; vejo um quadro, gosto do estilo, vamos ver quem é o autor: comunista; interesso-me em relacionar-me com alguém, logo está lá declarado: comunista. Não foi diferente com Gunther von Hagens, um cientista alemão que, como da Vinci, tem certa atração por ilustrar corpos.
No entanto, este de quem falo não pode ser resumido a um mero comunista: nascido em 10 de janeiro de 1945 em Skalmierzyce, Alemanha, von Hagens estudou medicina, é professor de anatomia da Universidade de Heidelberg, na Alemanha e inventor, em 1977, de uma técnica que preserva tecidos biológicos, a plastinação. É o fundador do Centro de Plastinação da Academia Estatal, em Bischekek, na Kirgisia, e na Universidade de Medicina de Dalian, na China.



Considerado atualmente um cientista e um artista plástico, Hagens compõe o movimento artístico chamado Specimen Art: uma escola de arte que, tomando teorias, tecnologias e imaginários científicos, critica a própria ciência nos fazendo rever nosso lado humano como sexual, imperfeito, espiritual e físico.



Diferente da antiga arte figurativa, a Specimen Art utiliza seres humanos reais e o faz através de fotografias reais, exames, exposição de órgãos, autorretrato por ressonância magnética ou do DNA. E é essa forma de fazer arte que provoca tanta polêmica, atraindo admiradores, adeptos ou críticos severos que a consideram um desrespeito ao ser humano.



De acordo com um dos seguidores e proeminentes artistas da escola Specimen Art, Mark Dion, “uma das razões pelas quais hoje os museus são incrivelmente importantes, e as pessoas parecem dirigir-se em multidão rumo a eles como nunca o fizeram antes, é que, não obstante a popularidade das novas tecnologias, as pessoas ainda estão incrivelmente dependuradas na coisa real, no objeto, no espécime – como um meio de comunicação. Um espécime, como uma das esculturas anatômicas de von Hagens, é uma espécies de representação tridimensional, não uma representação eletrônica. Quando você olha para esses cadáveres preparados e exibidos, você não está olhando para um filme sobre um corpo. Você não está olhando para um mapa do corpo, ou para um gráfico ou tabela do corpo, ou para uma foto do corpo. Você está olhando para um corpo”.



A Specimen Art tem como temas recorrentes o sexo como um ato não apenas carnal, mas espiritual; o interior do corpo como algo belo e codificado com informações; o exterior do corpo como algo diverso que precisa ser celebrado; os fluidos corporais como algo que nos unifica, pois é universalmente o mesmo; e a morte como algo que pode ser protelada com a ajuda da tecnologia.

Para John Naisbitt, a Specimen Art “nos lembra que somos carne e somos frágeis e mortais e diversificados e espirituais. É, em sua essência mais pura, a rejeição de um paradigma científico que reduz o ser humano a um conjunto de substâncias químicas classificáveis, quantificáveis, maleáveis”.

No entanto, von Hagens não se considera um artista e, afirmando nunca ter estudado arte e considerando-se, na verdade, um inventor, já conseguiu plastinar centenas de corpos ao longo de mais de mais de 25 anos, todos doados, autorizados em vida. Entre eles, inclusive, está o do seu melhor amigo que, ao ser plastinado por von Hagens, fez com que este percebesse o porque da afirmativa de que um cirurgião não deve operar um familiar. Segundo o cientista-escultor, durante o processo de plastinação de seu amigo, teve pesadelos, sentiu-se muito mal. O que o fez decidir que não participaria do processo de plastinação de seus familiares – já que mesmo sua esposa é uma doadora – e que deixaria o trabalho por conta de sua equipe .



O interesse por conhecer o ser humano por dentro e por fora é milenar. Desde a Grécia Antiga ou talvez bem mais que isso. Como exemplo de antigo interesse já citei Leonardo da Vinci no início da matéria através de suas obras. Mas é possível citar também Rembrandt e Durer. Um exemplo muito parecido é a obra “O Juízo Final”, de Michelangelo, na qual o autor expôs sua própria pele pendurada nas mãos de São Bartolomeu. Não haveria morbidez nesta obra? Ou o fato dela estar em uma igreja – altar da Capela Sistina – a livra de qualquer visão negativa?



Von Hagens recebe muitas críticas vindas de religiosos – bem como de médicos e pessoas ligadas à vasta área da Biologia – que questionam sua falta de respeito com os mortos, por exibi-los insensivelmente ao ridículo em suas exposições.

Baseada na afirmativa de que nossos corpos sejam apenas carcaças a carregar algo mais valioso que seria o nosso espírito, ou aquilo que realmente somos, fico cá eu junto a minha insignificância a me perguntar: expôr corpos ao modo Von Hagens seria mais injusto, ridículo, insensível ou menos desumano do que nos expor a isto?


Pesca "esportiva" de baleias na Dinamarca.


Touradas ou tortura de touros?


Eles são fortes, mas não são de ferro. Precisam ser bem tratados, senão sofrem e morrem.



Ou a isto?

Caos na Saúde Pública.


Mulheres violentadas (acredite, das mais variadas formas e não apenas fisicamente).



Ou talvez a isto?

A Pedofilia tão praticada por religiosos!



Pessoas a morrer de fome.


O que seria mais mórbido, cruel, desumano?





Gunther von Hagens criou e aperfeiçoou o processo de plastinação, patenteando-o em 1978. Pronunciou conferências sobre este feito em mais de 25 países. Entre os anos de 1984 e 1996, participou como conferencista principal em oito conferências internacionais sobre plastinação. Sua exposição, em 1997, chamada Mundo dos Corpos, atraiu multidões além de atrair a atenção da imprensa e a crítica não apenas de líderes religiosos bem como de muitos colegas da área de medicina. É possível entrar em contato com von Hagens através do Instituto de Plastinação de Heidelberg, na Alemanha, pelo telefone (011)-49) 6221-3311-0.




ZAPPIA, Juliano. Cadáver, o plastificador de corpos. In Super, ed. 180. São Paulo, Abril, 2002.
NAISBITT, John. High Tech High Touch. São Paulo, Cultrix, 2006.
Imagens da Internet copiadas de sites aleatórios.

2 comentários:

  1. bacana o texto e o trabalho dele, não conhecia. É a arte na sua mais pura expressão

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