segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A Onça








“Doravante, ver-te-ei todos os dias”... E ele nunca mais sairia de meus pensamentos.

Um comentário numa foto (exposta propositadamente) e eu permitia sua aproximação. Mas... De onde vinham aqueles caracteres tão bem digitados? De que lugar? De que corpo? De que alma saíam aquelas palavras e chegavam até a mim?

Infelizmente, essas perguntas martelariam em minha cabeça por muito mais tempo do que eu podia àquelas alturas imaginar.

Como num passe de mágica eu me coloquei pronta a recomeçar minha vida... Me vi completamente disposta a me entregar àquele ser que me encantava mais e mais... A cada dia muito mais... E eu nem sequer sabia quem era ele...

Como explicar os desejos, a admiração, o encantamento, a impotência que eu sentia... Por quem? Os suspiros que eu sentia... O coração disparado por simplesmente ver um pontinho cinza ficar verde... A euforia que me tomava conta quando finalmente eu ouvia o característico som que simbolizava seu chamado... O alívio por receber caracteres que eram seu cumprimento... Me sentir lisonjeada com um cumprimento que significava cortejo... Encantar-me cada vez mais com palavras digitadas que me cortejavam... Escritas por quem?

Eu poderia passar horas ali, até mesmo dias inteiros diante daquela tela, paralisada... A lê-lo... Eu queria sugá-lo pela tela... Queria tê-lo diante de mim, materializá-lo, torná-lo real em mim, em minha vida... Mas... Nada... Nada acontecia... Eu nunca o via ou o ouvia... Ele não se mostrava.

Então... Eu apenas supunha... Supunha suas características físicas digitadas, supunha sua simpatia, sua risada, seu cabelo curto, suas corridas diárias na companhia de um cão fila... Supunha seus dias numa cabana no alto de uma serra, sua biblioteca abarrotada... Supunha seu hábito de andar nu, sua solidão... Eu supunha tudo... E tudo aquilo, mera suposição, já estava a me enlouquecer.

O que fazer? Como continuar toda aquela situação mais uma vez? Já me arrebentei tantas vezes... Não, ele não era o primeiro fantasma virtual de minha vida... Eu já havia caído de precipícios altíssimos! Mas aquele... Deus do céu, aquele era alto demais! Eu não resistiria a uma queda daquele tipo... Seria demais pra mim...

Nenhuma garantia... Nenhuma visão, Nenhuma proteção concreta... Sequer um sussurro de confiança... E ele simplesmente dizia: pule!

Mas eu não via ninguém a me gritar, ninguém a me amparar. O medo foi maior que tudo em minha vida!... E eu só pude retroceder... Me esconder, negar meus sentimentos todos... Neguei meus órgãos revirando, escondi minhas lágrimas de puro desespero. Disfarcei não só minha cabeça fervente, mas também toda minha alegria a cada reencontro. Todo meu êxtase a cada ponto em comum. Escondi toda minha satisfação ao vê-lo de prontidão, sempre pontual e dedicado. Joguei para baixo do tapete cada gota de prazer que senti diante de sua masculinidade tão atraente...

E virei um bicho!

Um bicho enfurecido, machucado, ferido, dolorido, apavorado e disposto a tudo para tão somente defender-se... e ataquei! Ataquei muitas vezes, tantas vezes, tantas vezes, que o afugentei... Eu o assustei... O fiz correr...

Então ele sumiu... E com ele a minha paz... A minha alegria, as minhas decisões, minha determinação... Não havia mais ninguém a lembrar-me a minha existência e o quão importante eu poderia ser... Ninguém mais a enxergar os  meus encantos... Tampouco a desejar amar-me na chuva...

Minhas feridas sangram e estão cada dia maiores e não há mais ninguém a soprá-las, a curá-las... Eu fiquei só como um veleiro sem vento... Com um horizonte imenso a minha frente, para o qual eu só me ponho a olhar e a me perguntar... Aonde?... Aonde eu irei... sem você?




2 comentários:

  1. Belo post Alê, mas diz aí quem é o bofe?kkkkkk

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  2. Eu juro a você que eu também gostaria muitíssimo de saber...

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