sexta-feira, 29 de abril de 2011

Da 7ª Arte






Era um dos encartes mais feios e sem graça que eu já vira... mas escondia um filme com um conteúdo de uma profundidade que eu poucas vezes tivera a oportunidade de encontrar.



Uma mãe ocupada e responsável pela casa e filhos. Uma adolescente rebelde. Um filho caçula solitário e carente... Situações comuns? Acredito que boa parte de nós conheçamos pessoas assim. No entanto, Where the Wild Things Are vai além do uso da 7ª arte para a exposição de situações comuns.
Sem deixar de lado o encanto, a imaginação e a fantasia, este filme – no Brasil conhecido como Onde Vivem os Monstros e em Portugal e outros países de língua portuguesa como Onde Estão as Coisas Selvagens – trata os nossos internos conflitos de maneira muito apropriada: mostrando que eles podem, sim, ser feridas que nos machucam e nos causam dor. E também ser mares bravios que nos assustam e nos tornam impotentes. Ou que nossos conflitos muitas vezes são tão desafiadores que nós desejamos correr deles.
Já deve ter ocorrido a muitos de nós termos comparado nossos conflitos interiores a monstros enormes que ora precisamos combater porque nos machucam, ora precisamos nos aliar a eles porque, de alguma forma, podem nos proteger de uma dor maior.
Baseado em um livro que é o início de uma trilogia, de Maurice Sendak, o filme de Spike Jonze fala de Max, um menino que tem em torno de 8 anos de idade, e de seus conflitos com a ausência de um pai, a falta de tempo da mãe, o egoísmo e falta de tato da irmã adolescente, com a vida, enfim.



O filme inicia mostrando Max chamando a irmã para ver o iglu que ele construiu usando a neve da rua. Ela, como a maioria das adolescentes na atualidade, passa horas “pendurada” ao telefone e, ao fazer isso, poucas coisas no mundo têm a mesma importância.
Como não recebe atenção da irmã, Max volta a brincar sozinho em seu iglu construído na rua. Outras decepções farão parte dos conflitos de Max ao longo daquele dia, que desencadeará num acesso de raiva à hora do jantar e tudo será descarregado sobre a sua mãe.



Vestido com um pijama peludo que imita um lobo – tem inclusive orelhas, bigodes e rabo –, Max sai correndo de casa e sua mãe não consegue alcançá-lo. Embrenhando-se num bosque ele chega até a um lago. À beira do lago há um pequeno veleiro aportado. E ao entrar nele Max dá início a uma inesquecível viagem: aventurar-se até a ilha de sua alma, onde estão todos os seus monstruosos conflitos.




Where the Wild Things Are nos faz o favor de tornar visível e tátil as emoções que sentimos apenas mentalmente. E, escancarando as nossas dores, mostra que se nós apenas fingirmos que elas não existem, não conseguiremos resolvê-las e muito menos conhecê-las para aprendermos a lidar e conviver com elas.
Sim, conviver. Pois nossos monstros são indestrutíveis. Podemos até domesticá-los, adestrá-los para que não nos machuquem tanto. Mas não poderemos fazer com que eles deixem de existir.


Onde vivem as coisas que nos incomodam?
Onde vivem as nossos conflitos?
Onde vivem os nossos monstros?



Através da imaginação e da fantasia, Max aportou, pisou e conheceu de ponta a ponta a ilha de sua alma, onde todos os seus monstros viviam. E viu também que eles eram muitos: o monstro da raiva, da submissão, do egoísmo, do ciúme, da inveja, do negativismo, da solidão... Então, para não ser dominado nem devorado por eles, tratou logo de intitular-se o rei de sua ilha, passando a conhecer, conviver e comandar cada um de seus monstros. Já que eles tinham que morar ali, que fosse do jeito dele e sob o seu comando.
Ao tomar posse de sua ilha, Max aprende a lidar com cada um de seus monstros, mostrando a cada um de nós a necessidade de nos apossarmos de nossa alma se quisermos dominar o lado negativo que nós, como seres imperfeitos, possuímos.



Apesar de classificado como livre, Where the Wild Things Are não é um filme infantil. É profundo demais para ser compreendido por uma mente em formação, já que o tema gira em torno de psicanálise, melancolia, resoluções internas e mesmo depressão. No entanto, é extremamente atraente para esse público em virtude de seus personagens fantasiosos – monstros peludos, enormes e bagunceiros – e também porque, de uma forma ou de outra, ainda que inconscientemente, os pequenos acabam se identificando com algum conflito vivido em forma de grandes aventuras pelo protagonista.


Karen O.


O filme teve também uma boa direção de fotografia e musical, destacando aqui as músicas de Karen O., vocalista da banda Yeah Yeah Yeahs.

Maurice Sendak


Como já foi mencionado inicialmente, a história foi baseada no primeiro livro da trilogia do autor Maurice Sendak.


Títulos da Trilogia: Where the Wild Things Are, In the Night Kitchen e Outside Over There.



Músicas do filme: Animal, Igloo, Lost Fur, Hideaway, Worried Shoes.


Trailer do filme.




2 comentários:

  1. Não sabia desse seu lado "crítica de cinema"...

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  2. Renan!!! Só hoje li seu comentário!!! Uhahauahauahuahaua :D Desculpe!!! :/
    Obrigada!! Beijos!! :D

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