quarta-feira, 27 de julho de 2011

C'est la vie...



Há um céu grego sobre a minha cabeça. Não há uma nuvem a deslizar nele. É de um azul-turquesa inacreditável. A qualquer momento eu tenho certeza de que vou trombar com uma gaivota... e eu estou em plena selva amazônica.


Pelo meu indignado rosto passa uma forte brisa marítima. O ar é seco, quente. O movimento é constante e intenso. Leva folhas, areia, saias, vestidos, chapéus... e eu estou há pelo menos 400km do mar mais próximo.


Eu poderia falar sobre isso com alegria. Mas esse céu desconcertantemente azul esbanja uma claridade quase insuportável, que transforma-se em cegas facas a atingir meus astigmáticos e sensíveis olhos, tão cheios de fobia à luz.


E, francamente, não há cabelo que fique decente estando em constante guerra com tanto ar em movimento. Principalmente quando há que se locomover em bicicletas, como eu. E ainda tendo que enfrentar aclives contra o vento. A vantagem são as pernas torneadas. Mas eu garanto que poucos movimentos são tão estafantes quanto esse.


Em 30 segundos o sol parece fritar a pele. E o insistente vento arranca de mim qualquer vontade de estar lá fora, no mundo. Chego em casa todos os dias com a aparência de quem acaba de enfrentar uma ventania no deserto. Não se descarta nem a terra entre os dentes e os olhos lacrimejando. E é nessas horas que eu lamento que o ar nunca se mova sozinho.


Mas o enfrentar do sol, do vento e das intermináveis subidas é apenas um de meus desafios diários. O maior deles é, sem dúvida, ter que continuar vivendo.




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