sábado, 31 de dezembro de 2011

Da Unicidade de Tudo...






Seja lá quem tenha ido, seja lá qual a forma como o tenha feito, quanto tempo tenha ficado, seja lá que tipo de relação tenhamos tido... quem já foi não volta. E, se volta, já não é o mesmo. Porque quando eu atravesso a porta da minha vida ou da vida de qualquer outro, ao chegar do outro lado já não serei mais eu. Todos os que ultrapassam o batente que separa o seu limite do resto de tudo, todos os que foram-se de minha vida... todos os que certamente nunca, jamais, em tempo algum serão substituídos, no passo seguinte serão outros. Não substituímos nem a nós mesmos daquele nós que se foi porta à fora para nunca mais voltar.



Nada explica o motivo para termos encontros com tantos no decorrer de uma dimensão inteira. E há os que duram o curto instante de um olhar... e nem o olhar é o mesmo de tantos outros olhares que muito provavelmente cruzarão os nossos caminhos.

Há os que se aproximam com palavras... muitas vezes palavras até já conhecidas, mas não naquele tom, não naquele momento, não com aquele olhar, não com aquela força, não escrita por aquelas mãos... não passada por aquela corda vocal... e, quando se vão, nem juntando todos os dicionários do mundo  serão trazidos de volta.

Há os que simplesmente chegam e, com uma energia descomunal, atropelam todos os nossos limites... nos põem em meio a uma desordem louca, nos deixam tontos, muitas vezes alucinados. E assim nos fazem chutar tudo que está em nossa frente, transformando tudo ao nosso redor em um  caos. Tudo gira!... Mas quem chegou nos pôs no olho do furacão! Então, tanto faz que nada esteja no lugar, porque onde fomos colocados está tudo na mais santa quietude... e, quando se vão, nem o maior terremoto os fará estar de volta.

Há aqueles que apagam todos os nossos conceitos, põem abaixo todas as nossas teorias montadas a ferro e fogo. Nos obrigam ver por um ângulo completamente novo. Descobrimos que o que demoramos anos para enxergar estava bem ao nosso lado, algumas coisas a um palmo de nosso nariz. Nos colocam uma lente de aproximação impressionante... começamos a ver o mundo com outros olhos... e, quando se vão, nem o Espectroscópio de Xinglong os trarão de volta.

Pessoas vão e vêm de nossa existência independente de nossa percepção ser aguçada ou não. E, quando se vão, não retornam nunca mais.

Reencontros não existem. A cada não-toque (já que elétrons não se tocam, nada se toca), a cada olhar, a cada troca de palavras ditas de qualquer modo, em qualquer lugar que seja, de qualquer modo que ocorra, todo encontro é novo... é único.


Dedicado a todos aqueles que se foram de minha vida... e que certamente nunca, jamais, em tempo algum serão substituídos... nem por eles mesmos.




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