quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Mais uma contribuição brasileira para a poluição sonora mundial!


Recebi um e-mail de um amigo que continha a reportagem que está logo abaixo, após o meu comentário.
Interessante é que, coincidentemente (se é que coincidências existem), eu vinha, há vários dias, falando nos chats da escola virtual de idiomas onde regularmente eu estudo sobre isso que está em primeiro lugar nas "paradas de sucesso" e que andam chamando de música.
Já havia notado a nova epidemia mundial nas bocas e conversas virtuais de pessoas por todo o mundo: Chile, Argentina, Peru, Venezuela, França, Espanha, etc. E sempre me via obrigada a explicar o significado da letra (denominação muito positiva para esse lixo musical) desta que é a mais nova poluição sonora brasileira.
As pessoas cantam e nem sabem o que estão dizendo porque o Brasil está na moda e, pelo que posso notar, repetir comportamento de brasileiro (seja lá o que for que façamos) agora é algo muito "fashion" (pasmem).
Até aí tudo bem. Mas por quê? Eu repito, por quê? Por que os estrangeiros teimam em gostar justamente do que há de pior no Brasil?
Temos muitas coisas boas (a Amazônia é nossa - ainda -, temos Alter do Chão, Praia dos Lençóis). Temos cantores e músicas maravilhosas (Seu Jorge, Maria Gadú, Virgínia Rodrigues, Lenine). Nossa cultura é vastíssima (nós somos os criadores do manguebeat, nos temos o lundu, o maracatu, nós temos renda de bilro). Temos pessoas inteligentíssimas (Leonardo Boff, Oscar Niemeyer, Ariano Suassuna, Luis Fernando Veríssimo, Benedito Nunes, João Cabral de Melo Neto, Clarice Lispector, Tarsila do Amaral).
Então, eu pergunto, por quê? Por que é tão grande a capacidade do nosso lixo de proliferar???







Época pisou na bola. E ela estourou. Bem perto do meu ouvido. E eu? Fiquei bem irritado.
Não é ser pseudo-intelectual, pseudo-crítico, pseudo-ôcaralho. É a vergonha que sinto por ver uma das maiores revistas nacionais com uma capa dessas. E vou expor meus argumentos. Não faria vocês perderem tempo apenas lendo um hater.


“traduz o valor da cultura popular para todas as classes” disse Época.

Aqui vai a música:


Nossa, nossa
Assim você me mata
Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego

Delícia, delícia
Assim você me mata
Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego

Sábado na balada
A galera começou a dançar
E passou a menina mais linda
Tomei coragem e comecei a falar

(O resto é repetição.)




1)    Vocês podem ver. É nítido. Não vejo representação de cultura popular nenhuma. Fala-se de uma balada, de um cara idiota que repete “assim você me mata”. Típica cantada canastrona, mas sem graça, porque não está dentro de um filme pastelão.


2)    A cultura popular brasileira é riquíssima. Os grandes mestres detém dificuldade em sintetizá-la em apenas uma música, em um livro, em uma poesia. Expliquem-me como um cantor de sertanejo universitário conseguiria em 10 versos? Lembrando que alguns desses versos são apenas palavras repetidas.


3)    Rimas óbvias; Dançar/falar.


4)    Supor que essa música traduza todos os valores da cultura nacional é ridicularizar o país em que vivemos. Temos defeitos? MUITOS. E isso é óbvio em qualquer lugar. Mas não podemos negar que o Brasil detém uma cultura vasta, imensa, gigantesca. Mal explorada. Concordo. Mal estudada. Concordo. Mal repassada. Concordo. Mal apoiada. Concordo. Mas dizer que uma canção que trata de uma “balada” (palavra que eu acho ridículo e (de novo) canastrona), traduz os valores da cultura popular, é vergonhoso.


5)    A incoerência. Quem lê Época sabe que há matérias culturais excelentes. Leio, semanalmente, essa parte da revista. Por isso, não admito que eles tenham escolhido Michel Teló para ser capa da revista e muito menos; “traduzir os valores…”(enfim, vocês já sabem).


6) Como visualizar a cultura popular brasileira em todos os seus aspectos, desde o samba ao futebol, se estamos em uma balada preocupados apenas em pegar a menina mais linda?
Sinceramente, não sei o que passou na cabeça de vocês editores.


Lembretes à Época1: Não, Michel Teló não vai me pegar.
Lembretes à Época2: Não somos idiotas.
Lembretes à Época3: Os bons jornalistas devem estar com vergonha da sua revista. Porque eu estou.
Lembretes à Época4: Não tentem se justificar. Do jeito que foi exposto, não há justificativa. Há erro. A única coisa seria pedir desculpas ao Brasil. Mas eu sei que isso não acontecerá.
Lembretes à Época5: Se eu pensasse mais no post, teria ainda mais argumentos. No entanto, prefiro ir de “supetão”.



2 comentários:

  1. Bonjour ,je suis bien sur d'accord avec toi sur ce sujet mais pourquoi est tu en colère aussi violemment?Ici
    en Europe et particulièrement en France nous connaissons la grandeur du Brésil et de son peuple et de sa culture .Ne met pas tout les hommes dans le même sac car il y a des exception a la règle et tu le sait bien ,il est utile de crier haut et fort les scandales,mais tout n'est pas mauvais et je garde l'espoir .

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  2. Salut, Jean Marc. :)
    Comment vas-tu?
    Bien... Je ne sais pas si vous pouviez traduire mon texte correctement. Il ne s'agit pas de généraliser quoi que ce soit. Le cas est que ici, au Brésil, nous sommes dans une culture très pauvre, mais avec l'acceptation mondiale de tellement mauvaise ici, je réalise que le problème ne réside pas seulement au Brésil. Malheureusement, je ne connais pas beaucoup français afin de mieux vous expliquer.
    Quoi qu'il en soit, merci pour le commentaire.
    Bisous Jean Marc. :)

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