sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Quem dá mais?




Hoje eu estou com um preço baixíssimo...
Coloquei a mim mesma em liquidação.
Pus-me em um leilão chinfrim
Com um lance mínimo de 1 centavo...
Porque hoje a minha cotação baixou,
E não foi somente ela.
Hoje o valor sobre mim mesma está subterrâneo...
E quem pagar menos, me leva.
Porque hoje a carência foi tudo o que transbordou.
E a necessidade de amor
Ultrapassou não só as paredes,
Mas já pulou o muro...
E em pouco tempo há de ganhar as ruas...
E me deixou menor que Polegarzinha.
Hoje eu me doo a qualquer estalar de dedos.
Porque, repentinamente,
Entraram em contradição
A oferta e a procura de meus sonhos.
E, na ânsia de evitar o perecimento do produto,
Hoje eu aceito qualquer comprador,
Sem me importar com quem esteja interessado.
No primeiro lance que oferecerem
Eu serei arrematada...
Porque hoje,
O que importa mesmo é sentir o interesse.
É ver um par de olhos a mirar este corpo
E mãos a tocarem os desejos meus.
Porque de uma hora para outra a peça rara de museu
Cansou de ver-se guardada
E sem receber visitas.
Já estou quase criando mofo
E não aparece um curador que se disponha
A um projeto de revitalização.
Então hoje eu me ponho na praça,
E me torno peça pública,
Sujeita a olhares de curiosos e mãos afoitas.
Me exponho nas ruas a um preço mais que popular.
Porque hoje eu descobri que eu valho muito!
Mas eu não vejo no mundo quem esteja disposto
A pagar o preço que eu mereço!



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