quinta-feira, 24 de maio de 2012

Falácias da Internet...





“Ah! Camões, se vivesses hoje em dia,
tomavas uns antipiréticos,

uns quantos analgésicos
e Prozac para a depressão.
Compravas um computador,
consultavas a Internet
e descobririas que essas dores que sentias,
esses calores que te abrasavam,
essas mudanças de humor repentinas,
esses desatinos sem nexo,
não eram feridas de amor,
mas somente falta de sexo!”






Do meu modesto comentário acerca do texto acima:

Um "simples mortal" que não apenas simplifica, mas ridiculariza todo o sentimentalismo exagerado do conhecidíssimo (e admirado, por mim inclusive) escritor português, Luís Vaz de Camões.

Esse é um dos mais interessantes e inteligentes textos que eu já li por esse mundo virtual à fora. Quem o escreveu, realmente conhece as obras de Camões e mais ainda a Língua Portuguesa.

Mas há muitos que atribuem a façanha a uma estudante brasileira de 16 anos quando esta fazia uma redação de vestibular.

Sinceramente?

Ora, faça-me o favor (como diriam muitos brasileiros)!!!! Uma adolescente brasileira de 16 anos - 16 anos!!! - usando esse perfeito Português de Portugal para escrever sobre Camões???? Talvez se a adolescente em questão vivesse no século XVIII, tivesse alguma chance de falar um Português tão "bem dizido" (ironia) como esse que está no texto.

A verdade é que o brasileiro gosta muito de fazer piada ridicularizando o povo português, mas infelizmente não enxerga a si próprio: falamos mal, escrevemos mal até mesmo quando carregamos um certificado de Doutorado - eu disse Doutorado! Um grau acadêmico e não um "Dr" qualquer posto antes do nome por uma mera graduação em Direito ou um "cargo público de confiança". Somos um dos poucos povos no mundo que não valoriza e fala mal o próprio idioma - na verdade, fala mal porque não valoriza.

Quem conhece a Língua Portuguesa como é falada na "Terrinha" (como carinhosamente nós brasileiros designamos Portugal), poderá reconhecê-la no texto. Notem que, para brasileiros de um modo geral, há palavras ali pouco usadas até no cotidiano de um estudioso. Algo que não ocorre em Portugal, já que o Português utilizado por lá é o da norma gramatical padrão. E esse verbo conjugado na 2ª pessoa? Só existe uma região no Brasil (e isso trata-se de uma influência direta de Portugal, basta estudar a História do Brasil e saberão por que o Pará foi o último Estado brasileiro a aderir à independência do Brasil) que usa o verbo na 2ª pessoa de modo correto: Belém e algumas cidades litorâneas do Pará (pergunte ao Pasquale Cipro Neto).

A falácia da internet também atribui a autoria do texto a uma estudante portuguesa. Agora sim, mais fácil crer. No fim das contas, ainda não se pode afirmar a verdadeira autoria do tal texto. Mas uma certeza existe: a sua excelência!

Pobre Camões... reduzido a um homem sem vida sexual ativa... (risos).





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