sábado, 23 de junho de 2012

De como as palavras expressadas por alguns podem libertar a mente de outros





“Yo solía pensar que era la persona mas extraña en el mundo, pero luego pensé,
hay mucha gente así en el mundo,
tiene que haber alguien como yo,
que se sienta bizarra y dañada
de la misma forma en que yo me siento.
Me la imagino, e imagino
que ella también debe estar por ahí pensando en mi.
Bueno, yo espero que si tu estás por ahí y lees esto sepas que,
si, es verdad,
yo estoy aquí, soy tan extraña como tú.” (Frida Kahlo)






Houve um tempo em que eu me sentia muito solitária. Me considerava estranha, fora da realidade imposta: nunca conseguia me adaptar a nada nem a ninguém a minha volta, estranhava (estranho ainda) as fronteiras, o nacionalismo, as ditadoras hierarquias sociais, nunca consegui entender esse despotismo político onde o “patrão” (povo) trabalha, paga as contas e vive pior e manda menos que o empregado (político) – comparação grosseira, eu sei, baseada nessa maldita economia de classes fadada ao fracasso. 

Enfim, pensar diferente das pessoas com as quais eu convivi a minha vida inteira fez da minha vida um caos em muitos sentidos. Cresci tímida, envergonhada, sem autoestima ou autoconfiança, isolada, retraída, sem amigos (a quem eu pudesse realmente chamar de amigos), enfim, acreditando que 'a louca devo ser eu'. Era como se eu tivesse tomado o ônibus errado, onde os passageiros não falavam a mesma língua que eu e a paisagem vista através da janela não me era nada familiar 

Um dia alguém, tentando me descrever, usou a seguinte frase em linguagem figurada:

“Você é um fusca com motor de avião”.

Isso me fez entender porque, a minha vida toda, eu me atropelava nas palavras cada vez que tentava explicar o que eu sentia, ou o que eu pensava. Elas vinham todas de uma só vez e sem ordem alguma! Assim, formavam uma bola enorme em minha garganta, me sufocando e me impedindo de dizer o que eu pensava! Então eu ficava muda, estupefata diante da minha mente trabalhando a uma velocidade tão grande que, como um ciclone visto de longe, me dava a falsa impressão de algo estagnado, mas ela estava trabalhando a toda velocidade. Por isso mesmo eu não conseguia acompanhá-la. Mesmo externar em forma de escrita era problemático (ainda é), pois minhas mãos nunca conseguiam alcançar a mesma velocidade.

Desse modo, passei a vida inteira não só escondendo o que eu pensava, mas me escondendo. Deixei-me abafar, desacreditar, rejeitar, violentar, ridicularizar, menosprezar... Deixei-me vegetar! Tornei-me uma mera espectadora de um mundo do qual nunca me senti parte nem nunca me esforcei para ser porque talvez nunca tenha querido ser.

Felizmente, a tecnologia às vezes cumpre o seu papel de facilitar e beneficiar a vida do homem. E o surgimento da rede mundial de computadores foi o meio através do qual eu pude perceber que eu, na verdade, não estava tão sozinha. Talvez só um pouco distante dentro da noção de medida que comumente temos aqui. E, mesmo à distância, eu pude (ainda posso) encontrar pessoas com as mesmas inquietações, os mesmos sonhos, as mesmas dúvidas. E, não, depois disso a agonia interna não desapareceu, mas há algum tempo vem amenizando bastante.

Há uma postagem aqui (O Ser Humano é um Projeto Inviável) que explica um pouco sobre esse meu sentimento de total estranhamento à raça humana e ao planeta Terra que desenvolveu em mim um inexplicável (ao menos até um tempo atrás) desejo suicida que eu sentia desde os meus três anos de idade. Essa postagem trata de uma das mais fortes identificações que já tive: os pensamentos de Jacques Fresco.

E foi por acreditar que existam muitos como eu espalhados por esse mundo – e por ter uma habilidade muito maior de escrever do que de falar – que eu, há alguns anos, tomei a decisão de construir um blog. Comecei tímida, com medo, insegura, duvidando que alguém pudesse se interessar pelos meus “reparos escritos”. Aos poucos fui adquirindo confiança, perdendo o medo de não agradar, de ser criticada, de ficar frustrada por não ter muitos visitantes – toda pessoa rejeitada é ansiosa e imediatista – e dia após dia fui notando a minha evolução como ser humano. Ainda que praticamente ninguém notasse, pois para a maioria, crescer significa ganhar um salário mais alto a cada mês, enquanto que eu prefiro acreditar que se todos trabalhassem em prol do bem comum, ninguém precisaria ser rico para viver feliz e dignamente, porque todos já teriam acesso a tudo que necessitam e, portanto, viveriam dignos e felizes. 

Esta nova postagem, então, trata-se de mais uma de minhas identificações à distância, a qual só pôde acontecer em virtude da existência da rede mundial de computadores. Trata-se de um dos discursos de Julio Anguita Gonzalez, um político comunista espanhol, que o pronunciou em 23 de fevereiro de 1999 no evento “La Izquierda con Saramago”, em Cáceres, Espanha. 

Transcrevi o discurso a partir do vídeo (também disponível nesta postagem) com a fundamental ajuda de uma amiga argentina, Patricia Rosa. Sua ajuda foi importante não apenas para decifrar as palavras que eu não conhecia em Espanhol ou não conseguia compreender na fala de Julio Anguita (já que, apesar de falar e escrever Espanhol, meu idioma nativo é o Português), mas também porque foi ela quem encontrou o discurso escrito quase na íntegra postado em um site e o enviou a mim, tendo o cuidado de corrigir as falhas antes de me enviá-lo.

Entonces, gracias a mi “fantastillosabuena” amiga argentina, Patricia Rosa por sus préstimos, buena voluntad y amabilidad.

Eu pensei em traduzir o discurso para o Português, mas ele é tão perfeito em Espanhol que eu mudei de ideia e resolvi postá-lo apenas nesse fantástico idioma. E, não se preocupem, fica fácil compreender o discurso assistindo ao vídeo e acompanhando o texto. Deleitem-se! E quem sabe alguém acabe querendo fazer parte do grupo das chamadas pessoas “diferentes” para que possamos mudar esse planeta e torná-lo um lugar melhor para viver.









"Hubo un hombre llamado Galileo Galilei, dedicado al estudio, a horas encerrado viendo astros, sacando las conclusiones de su observación, que descubrió que la Tierra no estaba en el centro del Universo, que se movía, y por tanto, era el Sol el que ocupaba el centro y entorno al cual los planetas, y entre ellos la Tierra, giraban. Aquel descubrimiento se enfrentó a la verdad institucionalizada, del Vaticano, la Iglesia, las creencias populares del momento y la insistencia en el mantenimiento de lo que él había descubierto, le costó ir a juicio.






Y frente al acusado, ¿cómo podía él pensar que se había equivocado Aristóteles?, ¿como podía pensar él que las Sagradas Escrituras mentían?. ¿Cómo podía atreverse él, un ingenuo sabio, a pensar que había descubierto algo que fuese en contra de lo que el magisterio de la Santa Madre Iglesia venía diciendo hacía siglos? Y sobre todo, es que acaso el pueblo no aclamaba contra aquel que se atrevía a poner en duda la centralidad del planeta Tierra.

Las presiones son tremendas, tiene casi que abjurar. Pero en un momento, en la rebeldía última, y musitando casi con una sonrisa, a lo Saramago, suave pero firme, dice en el italiano natal: E pur se move… (y sin embargo se mueve). Porque los cálculos matemáticos, porque las observaciones, porque el ejercicio de la razón, porque lo que sus ojos estaban viendo noche tras noche, le estaban demostrando que era la Tierra la que se movía.

Pues bien, estamos hoy en la España de 1999, en la Europa de 1999 y en el mundo, en un momento en el que en otras ocasiones de la historia, las sociedades han tenido que escoger un camino u otro. O seguir en la resignación o plantar cara. La rebeldía, que acaba decir Manolo Cañada. La resignación es un producto que, como cualquier droga, duerme a la gente, duerme su conciencia. La resignación es como la morfina, la cocaína o la heroína. La resignación es producto de muchas causas. Yo voy a enumerar unas cuantas. La resignación es hija de ese discurso totalizador, cual si fuese una nueva religión. No hay más verdad que la competitividad, no hay más santos ni más poderes que los mercados, la economía tiene que crecer constantemente. ¡No importa! que se contaminen las aguas, que se contaminen los ríos, los mares o los aires. Competitividad, crecimiento sostenido, y los mercados. Eso es lo único que importa. Su poder no puede ser contestado, y además, nos demuestra la existencia de las propias sociedades que esto es lo que produce bienestar.

Y no importa que las personas de la calle vean que ese bienestar no le ha llegado al hijo o a la hija, que tiene que ir a la empresa de trabajo temporal que le cobra el 40% de la nómina por colocarle en una empresa. No importa que la persona que todavía tiene una pensión que no llega al salario mínimo interprofesional y está casi a la mitad - 60.000 y pico de pesetas, la mitad de eso, a veces no llega. No importa el paro de aquel que entró en los 45 años, no importa que la mujer, madre y esposa pero que además tiene que trabajar, no cobra lo mismo, igual que el hombre, haciendo la misma tarea, violando artículos enteros de la Carta fundacional de las Naciones Unidas y la Declaración Universal de los Derechos Humanos y texto de la Constitución Española. ¡No importa! Porque le están diciendo que no hay más bien que la competitividad, lo bien que vivimos, lo bien que vamos, los datos, las cifras… No importa que la gente vea o quiera ver en su entorno y a su alrededor, hechos que están contradiciendo ese mensaje. Porque para que no se vea, o porque para ser menos hiriente, hay sucedáneos. Ahí tenéis la televisión: fútbol, mucho fútbol, más fútbol que en épocas anteriores de la historia de España. Ahí tenéis concursos degradantes que no alimentan la razón, el estudio, el análisis. Ahí tenéis la vida de los personajes populares que se diseccionan y se abren para que atisbemos, como si fuéramos aves carroñeras y, olvidando el entorno que tenemos, entremos en lo que ocurre en sus alcobas. Ahí está toda una literatura de evasión, para que la gente no vea. ¡No vea! Y, por tanto, confunda su existencia real, con la existencia que le ponen en las pantallas o en los informativos. Para que ocurra como aquello que tantas veces digo de la viejecita, que al final del siglo XIX estaba vendiendo cerillas, a la puerta del Palacio de la Ópera de Madrid, en un mes de enero a las dos de la madrugada, aterida de frío, y envuelta en una toquilla vendiendo cerillas para poder subsistir. Y cuando entraban hombres y mujeres envueltos en armiños, en capas, con lujo, con joyas, decían: “¡qué bien vivimos en Madrid!

Un caso de alienación, un caso de suplantación, un caso de drogadicción. La imagen, lo bien que vivimos, las historias de alcoba, las revistas del corazón, las frivolidades, que hacen olvidar lo que ocurre diariamente, o si se ve, se eleva a otra categoría, como si no fuese lo real. Resignación, además, porque el discurso oficial que baja desde muchos sitios, baja desde los poderes públicos, baja desde las sentencias de los tribunales, desde las cátedras, desde las clases de EGB donde el maestro de escuela va inyectando ya unas determinadas ideas. Baja desde la televisión, y desde los medios de comunicación. El discurso de que no hay otra salida, esto es lo único posible. Y si no fijaros: “estamos mal, pero peor estaban en el muro de Berlín”.

Y cuando ya se acude a hablar del muro de Berlín es porque no se tienen razones y hay que decir: “¡mira! qué mal fueron aquellos”, porque es la única justificación. Resignación, porque los pueblos, cuando tienen problemas, no son rebeldes. El que tiene que comer todos los días no puede permitirse el lujo de perder, por un acto de rebeldía, el puesto de trabajo. La rebeldía siempre ha surgido de aquellos que comían todos los días, de aquí la gran culpabilidad de muchos intelectuales españoles, que comiendo todos los días bien del pesebre o bien de su trabajo, no han sido capaz de decir: “¡basta a esta situación de degradación!”.

Y ahí, una resignación… Una resignación que nace de la evidencia diaria, del paro que es cierto, de ese paro que dicen que se reduce porque la estadística dice que cuando una persona trabaja dos horas a la semana, ya no está parada. Una disminución estadística de los empleos a tiempo parcial, de las horas extraordinarias que se imponen pero que no se cobran, de la angustia sin mañana poder trabajar. Eso es resignación. Resignación que cae sobre un pueblo que se da cuenta además, o no se da cuenta porque no le gusta o no quiere verlo, o no dejan verlo, que estamos yendo hacia atrás, que estamos llegando a cotas propias del siglo XIX, que aquella seguridad social para todos, que el tema del subsidio de desempleo va bajando continuamente, en contra de la Declaración Universal de los Derechos Humanos o de la propia Constitución.

Resignación que surge de la culpabilidad del propio parado. Uno de los éxitos entre comillas del sistema americano es conseguir que el pobre, que el miserable, se sienta culpable de su situación. Es la filosofía calvinista, hija del protestantismo. Tú eres culpable de tu situación. No has sido capaz de triunfar. Esa es la filosofía de la sociedad americana, y si no has triunfado es porque tú eres irresponsable. Esta sociedad da oportunidades a todo el mundo. Si tú no has podido hacerlo así, tú eres el culpable. Y entonces el oprimido, el pobrecito, el esclavo, se echa en la responsabilidad de esa situación. Es perfecto el dominio del poder. Un dominio del poder que ya no se basa en la fuerza, en la coacción, en la utilización de la Guardia Civil o del Ejército. Se basa en un dominio mucho más terrible, más duro, el dominio de la mente. Ese opio que cae desde los aparatos de televisor, ese opio que cae desde la sentencia de los tribunales, desde los discursos políticos, que va empapando la mentalidad de la gente y va diciendo: “calla, calla, calla, porque si no callas puede ser peor”. Esa es la resignación que se produce como consecuencia de sentirse ese parado que él es el autor de su situación, y aquel compañero que ha sido acusado de que cobró una vez indebidamente el seguro de desempleo, al miserable, ese es el culpable. No importa que los ladrones de alto copete sean exhibidos como figuras brillantes a enseñarle a los hijos como ejemplo a seguir, pero el miserable que ha estafado solamente un mes del seguro de desempleo es el culpable de todo lo que está ocurriendo. Eso es resignación. Resignación que surge de los medios de comunicación, y no se enfaden las cámaras, no va con vosotros, pero va con los que tienen el poder en vuestras empresas, va contra aquellos que optan por decirle al pueblo una parte de la verdad. Resignación que consiste en dar un credo único, decir todos amén a la competitividad, a la moneda única, estamos mejor que nunca, amén, amén, amén… Es el coro como una letanía, que va uniformando el pensamiento, que va haciendo seres totalmente iguales, como describía lo que podría ser el futuro, Orwell, en 1984.

Esa resignación, por tanto, es hija de una economía, de un sistema político que confunde muchas cosas. Una información que está haciendo surgir en nuestros universitarios, en nuestros institutos, en nuestras academias, en las escuelas básicas, la cultura del si o no, propia del ordenador. La vida está llena de colores, de tonos, y, por tanto, el lenguaje es mucho más vivo cuantas más cosas hay para ser descritas. Si o no. Blanco o negro. Derechas o izquierdas. Conteste usted como el ordenador, afirmativo, negativo, afirmativo, negativo. Se busca ya, no el ser humano pensante capaz de la reflexión, de la duda o de la inquietud, se busca el esclavo sin pensamiento, y por eso no se quiere la historia, y por eso se desdeña la memoria, porque los seres humanos somos hijos de la memoria. Yo soy lo que soy porque viví con mis padres, mis recuerdos, mi historia, mis vivencias. Yo soy la actualización de todo un pasado que está vivo. Si me quitan la memoria soy un zombi, un muerto viviente. Y queremos pueblos de muertos vivientes, que se estimulen por el ultimo partido del Barça-Madrid, que se estimulen con la última historia de tal o cual conde, o de tal o cual señora. Que digan en los corrillos, incluso en los parlamentos y en los lugares donde había que debatirse de los problemas, se cuenten chistes de la vida privada, para olvidar la tremenda realidad. ¡Escapismo!, ¡droga!, igual que la heroína, igual que la cocaína, ¡droga!, escapismo. Sedar el pensamiento, aniquilar el espíritu crítico y, por tanto, fomentar la resignación y frivolidad, mucha frivolidad. Y, por tanto, la política entendida como compra-venta de votos. No importa qué es lo que quiere el pueblo. Un pueblo al cual convenientemente se le va a decir lo que quiere, a través de determinados medios:

- ¿Más fútbol? Pues más fútbol.

- Es que yo pienso que…

- No, tú tienes que decir lo que le guste al pueblo, al cual yo mediante medios de comunicación finísimos, le voy diciendo qué es lo que le conviene.

- Pero yo represento un proyecto, yo quiero explicar mi proyecto, yo quiero dirigirme a mi pueblo, del cual formo parte, para decirle el punto de vista de nuestra organización.

- No, no, no, lo que conviene es que ganes votos.

- Pero eso no está bien dicho. Tienes que ser respetable, tienes que hablar y decir lo políticamente correcto, el buen tono, como el chico de la burguesía del siglo XIX, niño eso no se hace, eso no se dice. Tú lo haces por bajo cuerda, porque todo debe permanecer como si aquí no ocurriera nada.

Es decir, la cultura de la hipocresía. Crear una sociedad hipócrita, que miente a sabiendas, que sabe que está diciendo algo que nadie cree, pero lo importante no es decirlo, lo importante es que hay que hacerlo pero que no se diga. Y ese cáncer va avanzando, degradando, corrompiendo y aniquilando las fuerzas para combatir, y esto es un camino sin duda dulce, es la muerte lenta, como se consume un brasero, como van muriendo aquellos que beben la cicuta, muerte que le dieron al gran Sócrates. Es, va durmiendo paulatinamente todo el organismo y se muere uno con la sonrisa en los labios, ¡pero muere!

Y el otro camino es lo que ha dicho Manola: rebeldía. Pero la rebeldía no es un gesto altisonante, no es un grito, no es un insulto, no es una pedrada, no es una mala contestación. Es mucho más profundo. La rebeldía es un grito de la inteligencia y la voluntad que dice, y lo voy a decir en roman paladino, ¡no me da la gana de decirle que sí a esta actual situación! ¿Por qué? ¡Porque no quiero! Y me niego a decirle que sí, porque entiendo que puede haber otra situación, y por tanto yo no asumo esta podredumbre y no participo de ella, y lucho contra ella. Y esta actitud es una actitud intelectual. Y cuando digo intelectual no quiero hablar de universitarios, de la mente de cualquier ser humano. Es un posicionamiento que nace de la mente y del corazón, del fuego de querer cambiar, esta es la rebeldía fundamental. Lo otro son voces, son chillidos, son insultos, son graznidos, dale caña, circo romano… No, no, no… la rebeldía no es ni más ni menos que el posicionamiento con otros valores y la decisión de hacerle frente. Rebeldía para decir que no aceptamos que la competitividad y el mercado sean los que rijan los destinos de las sociedades, que entendemos que hay una Declaración Universal de los Derechos Humanos que tiene que cumplirse, y que eso significa sociedad de pleno empleo, donde el hombre y la mujer sean exactamente iguales, donde no haya marginados, y que costará mucho tiempo y mucho sacrificio, pero es hermoso el luchar, incluso morir por eso. Porque morir tenemos que morir, ¡muramos por lo menos luchando por un ideal noble y no consumiéndonos como un brasero!

Y significa esa rebeldía fundacional en cuanto entidad humana, significa defender con esa suave ironía, con esa tranquilidad que el maestro Saramago hace, porque es una gloria verlo contestar a los periodistas con esa suave ironía, con esa tremenda dureza de fondo pero flexibilidad en el lenguaje, significa defender que hay valores que deben ser mantenidos… El hermoso valor de la igualdad. Como decía uno, la sangre es roja y todos la tenemos roja, no hay sangre azul, y además, como decía otro, todos los corazones, salvo alguna excepción, están a la izquierda. Por tanto, esa igualdad que hace que los seres humanos nazcan de la misma manera. Una igualdad esencial, no igualitarismo, y, por tanto, dignidad de la persona por ser lo que es, persona.

Y junto a la igualdad, la libertad. Pero hablar de libertad es algo muy grande, porque libertad es asumir que se tiene la conciencia libre, que no es lo mismo que libertad de conciencia. La conciencia libre significa que yo puedo decidir si yo tengo todos los elementos para formular mi decisión. Estoy bien informado, estoy bien formado, me alimento todos los días, tengo un techo donde guarecerme, tengo ropa que ponerme, y una vez que tengo mis necesidades más elementales satisfechas, yo puedo empezar a pensar para ser un hombre libre. Porque si yo tengo que buscar el trabajo trampeando como sea, poniéndome en la cola del paro, vendiéndome por cuatro perras porque tenemos que comer mis hijos y yo, yo no soy un hombre libre aunque mañana me permitan votar en las urnas. Yo voy movido por mi hambre, por mi necesidad de tener que venderme en todo momento para el trabajo.

Y junto a la libertad, el sentido esplendido de la palabra: la justicia. Y no hablo de tribunales de justicia. Hablo de eso tan sencillo de dar a cada uno lo suyo, que impere el derecho, que no haya distinciones, que todo el mundo sea medido por igual rasero, el rasero de la ley. La justicia que consiste además en conforma una sociedad. La ley es la que puede hacer posible que conviva la gente en sociedad, mientras que la ley sea justa y se aplique con justicia a todos igual. Solidaridad… Es un mensaje que nos puede hermanar a todos, a todos aquellos que hablaban sobre el internacionalismo proletario, que sigue estando vigente. Aquellos que hablan de la hermandad de los seres humanos, y porque hacen referencia a sus creencias basadas en la teología de liberación, a otros que hablan desde otros supuestos de liberación humana, otras propuestas de liberación… De acuerdo. Solidaridad, que consiste en afirmar tranquila y serenamente, que no merece la pena luchar por banderas, que la única bandera es la bandera del planeta Tierra, y la humanidad es una sola raza, una sola y única raza, y que merece la pena luchar por ella.

Y esto es muy importante: informado. No porque se debe ver muchas noticias. Hay diferencia entre la noticia y la información. La noticia es una mercancía que se da para que se consuma; la información es un dato que se da para que la gente piense y a partir de ahí, extraiga sus consecuencias. Y desde la izquierda, hablar de austeridad. A mí particularmente me gusta esta palabra. La austeridad, hablar de austeridad fue la palabra que vertebró un discurso de Enrico Berlinguer, aquel secretario general del partido comunista italiano que murió en la tribuna, hablando precisamente de austeridad. La austeridad en el sentido romano, mediterráneo… Austeridad no es miseria. Austeridad significa vivir dignamente, normalmente, no malgastar los recursos naturales, poseer uno las cosas, y no que las cosas le posean a uno. No ir constantemente atentando contra la naturaleza en un consumismo feroz. Austeridad significa tiempo libre para discutir y dialogar con los demás, para jugar, para hacer posible el amor entre seres que se conocen, para convivir en la calle, en la plaza, en el ágora griega. Austeridad que significa que la mejor manera de vivir es tener relaciones con otro en un plano de igualdad, sintiéndose hombres y mujeres libres en una sociedad democrática. Austeridad que hace que nos miren a todos como seres humanos, y no por nuestra capacidad de consumo. Yo me niego como ser humano a que digan que soy un español que consume tantas salchichas o tantos coches al año. Eso no es la austeridad, eso es medir al ser humano por otro talante. Austeridad que significa, con otra palabra, sobriedad. Hablar de cosas concretas, hablar de cosas que son importantes. Incluso cuando se utiliza el lenguaje para crear belleza, para hacer pensar, como nuestro premio Nobel, se utiliza desde la sobriedad, porque las palabras cayendo en cascada, uniéndose, recreándose constantemente, hacen pensar, hacen conseguir nuevas ideas. Humanizan. Esa es la austeridad y esa es la sobriedad. Y a partir de ahí, es cuando comienza el discurso y la propuesta de una sociedad de pleno empleo, de desarrollo sostenible, de reparto del trabajo, es decir, el recurso rojo, verde, violeta, el discurso de la paz. ¡Paz! Y la paz no es la ausencia de guerra, la paz es, por ejemplo, que el día nueve estemos llenando Rota, porque quieren transformar la base militar en una súper base, violando el punto tercero de lo que acordó el pueblo español en referéndum, en 1986. La paz significa que mañana 1.200 hombres y aviones españoles que cuestan un dinero, no puedan entrar en la antigua Yugoslavia, porque no ha sido consultado a las Cortes Generales y porque se ha violado nuevamente el artículo 62 de la Constitución. Significa por tanto hablar de paz. Paz como justicia, como entendimiento entre seres iguales que son capaces de razonar.

Y bien, los mecanismos son los de siempre: La movilización. ¿Qué es movilizar? Desde la izquierda, siempre movilizar no ha sido sólo llenar las calles de gente, que también. Movilizar ha sido concienciar. Nosotros existimos, los que queremos pensar por nuestra cuenta, para perturbar a los demás. Si hay aquí algún creyente me dirijo a él para recordarle la frase que hoy explicaba en la universidad, cuando una persona, un compañero que era representante, parece ser, de la teología de liberación, me preguntaba, y le recordaba yo un pasaje del Evangelio, de mi época pasada, soy conocedor. Decía mirad, una de las cosas que figuran en el evangelio, cuando le preguntan a Jesús de Galilea: “¿tú que has venido aquí a traer la paz? Y dice: yo no, he venido a traer la guerra. ¿Y qué quería decir? He venido a concienciar, a perturbar. Nosotros no queremos gente tranquila, drogada, queremos gente que inquieta. Venimos a perturbar, a agitar el cerebro, a mover conciencias. Existimos en la medida en que movilizamos el pensamiento. Como decía en aquella Iglesia del barrio del Naranjo de Córdoba: ¡Levántate y piensa! Es lo más revolucionario que he visto en mi vida, porque la rebeldía empieza aquí, en la cabeza, que dice ¡no sirvo, no me da la gana, no quiero asumir estos valores!. Movilización que significa, por tanto, ese esfuerzo por pensar y por hacer pensar.

Los grandes revolucionarios de la historia, la característica fundamental fue que hicieron pensar. La revolución la hicieron las gentes, las masas, los colectivos, pero el valor de ellos es el pensamiento que pusieron en marcha, es el concepto de la movilización, entorno a lo concreto, y con las alianzas de todo el pueblo. Por eso hacemos llamamientos, queremos unidad, pero no para repartirse sillones, para hacer programas de transformación. ¿Qué hacemos en el pueblo, qué hacemos en la comunidad autónoma, qué hacemos en España, qué hacemos en Europa? Alianzas. Alianzas entre gentes que coinciden básicamente, parece ser, por lo menos teóricamente, en que quieren cambiar el mundo. Pongámonos de acuerdo en que podemos cambiarlo ahora. Pero cambiar un sillón por otro, eso ya no es correcto, eso lo hacen los otros desde tiempo inmemorial.

Y por último la cultura. La palabra cultura viene de cultivo. Cultivarse, hacerse ser humano cada día más. La cultura no es saber muchas cosas. La cultura es captar todo aquello que la humanidad ha ido produciendo y que nos mueve desde el arte al estremecimiento, por degustar la belleza, a entender cómo la humanidad ha ido superando determinados problemas. Un hombre culto no es un hombre que esté rodeado de libros, que también puede ser. Un hombre culto es un hombre que mira al mundo con mirada independiente y libre. Un hombre culto puede ser un campesino de nuestras tierras. Cuando rebina, palabra que utilizan en mi tierra, está pensando, pero puede calcular las cosas, piensa como quiere, es un hombre que tiene un tipo de cultura. Y ese hombre que a lo mejor no sabe leer, le puede dar la mano a otro culto de la universidad que sabe más cosas, pero está en la onda de la cultura, porque ambos confluyen desde su sentido de hombres libres con capacidad para pensar. Y en fin, en el acto de hoy, donde ahora va tomar la palabra el maestro Saramago, y dicho con todo cariño, en el sentido de ejercicio de sencillez y de hondura. La voz de Izquierda Unida esta noche no ha hablado de programas, el Manolo y yo, hemos hablado, y os lo confieso, de lo que nos mueve a nosotros, a él, a mí, a José y a los demás compañeros y compañeras. No sé lo que ocurrirá en los próximos meses y los próximos años, pero la decisión de mantener este discurso es firme por nuestra parte. La vamos a seguir manteniendo, no la pensamos cambiar”.






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