quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Na rede a comentar - 6





Não é possível reparar de outro modo, se a nossa forma de ver é sempre a mesma.



A Física Quântica explica muito bem isso. É impressionante como somos limitados até mesmo quando queremos criticar aquilo que, de acordo com as nossas razões, consideramos errado. Existem milhares de possibilidades ao nosso redor. Mas nós seguimos criando exatamente as mesmas supostas realidades.

Incrível como já estamos tão condicionados a como fomos criados, que não enxergamos, não acreditamos que há possibilidades de mudança. Acreditamos cegamente que o que existe lá fora tem mais força de existência do que tudo que temos dentro. E desconhecemos completamente o fato de que tudo que está lá fora só está lá fora porque um dia já esteve aqui dentro.

Nunca, em tempo algum,
estivemos tão dentro da caverna de Platão
como contemporaneamente estamos.

Observem atentamente a imagem acima, pois é sobre ela que discorro.

Baseados na realidade que formamos, notem que não existem representantes de todas as absurdas divisões do Planeta, os Continentes. Não vejo nenhum suposto representante do Continente Asiático. É, por acaso, o homem da primeira pergunta quem está ocupando este posto?
Um homem branco e loiro representa todo o Continente Europeu. Vêm agora como Hitler conseguiu ser tão convincente? Acreditamos na superioridade ariana (que, de acordo com a imagem, nunca passou por dificuldades, já que supostamente não sabe o significado de escassez).
Quem foi que afirmou que o Continente Africano todo é composto por miseráveis famintos? Ou será que seguimos todos acreditando que trata-se a África de um País?
Por que um estadunidense está representando todo o Continente Americano? Acaso não são três Américas??? E o chamado erroneamente de "americano" não é apenas o morador de um País que está situado dentro da América do Norte?
E quando foi decidido que a Arábia pode responder pela Oceania, pelos pólos, Oriente Médio... ? Pergunto isso porque, já que estas divisões existem, então estas deveriam ter também seus representantes retratados na imagem.

A crítica é interessante. Tenta nos mostrar a situação precária que vivem alguns povos do Continente Africano, a riqueza européia roubada de tantos povos cujas terras foram invadidas e sugadas de tantas formas mesquinhas. Está mais do que retratada a prepotências de quem governa os Estados Unidos e é bastante notória a falta de diálogo com os irredutíveis donos do petróleo.

No entanto, a nossa visão é limitada. Queremos criticar preconceito, injustiça e ignorância sem nos livrarmos de nossos preconceitos, injustiças e ignorâncias.

Não gostamos de rótulos, mas os aceitamos. Pois, quer queira quer não, estão incrustados em nós.

Abominamos a dominação estadunidense. No entanto, nós a aceitamos, pois ela se faz naturalmente presente em nosso dia-a-dia.

A soberba européia nos diminui, mas pacificamente a aceitamos. Pois não movemos um dedo para valorizar e justificar de modo positivo a nossa existência neste Planeta.

Nos revoltamos com o esquecimento dos povos menos destacados do Planeta. Mas, quando criticamos a injustiça social, nem lembramos deles. Sequer sabemos quem são, onde estão ou se existem.

Nesta imagem é possível notar o quanto nos desvalorizamos e desconhecemos nossa existência como uma das partes que não apenas compõe o Universo, mas como criaturas que carregam todo o Universo em si.

Estamos aqui para nos conhecermos. Mas estamos preocupados demais com o exterior. E acaba que não enxergamos nem um palmo diante do nariz.









2 comentários:

  1. Muito bom o seu escrito...a mente e cómo a gente fica preso dela é um tema e tanto...parabéns ;)

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