quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Da Hipocrisia Nacional





No dia 13 de novembro de 2012, após o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu ser condenado a mais de 10 anos de prisão por seus (e de mais alguns) escândalos políticos, o então ministro da Justiça José Eduardo Cardozo afirma, em outras palavras, que a prisão brasileira é medieval, viola direitos e que ele preferia morrer a passar anos preso em alguma delas.


Não sei qual foi a sua intenção diante de uma afirmativa dessas, no entanto daí já surgiu uma ótima solução para os políticos corruptos deste país chamado Brasil: já que eles não suportariam passar anos em nossos presídios, podemos oferecer-lhes a pena de morte como opção de pagamento por seus crimes.

Quanto ao fato dos presídios serem medievais, isso honestamente não é novidade. Mas isso é só uma das questões absurdas de nossa política carcerária: enquanto qualquer criatura com o mínimo de raciocínio lógico defende a ideia de que as prisões deveriam ser auto-sustentáveis (já que há tantos dentro delas em excelentes condições de trabalho), aqui no Brasil somos nós trabalhadores e pagadores de impostos que sustentamos essa população presidiária e não apenas a eles mas também as suas famílias, já que estas, por terem um bandido como membro, recebem uma pensão que ultrapassa o salário de muitos empregados que trabalham e muito de sol a sol.

O Governo Brasileiro gasta com violência, tráfico, presos e presídio muito mais do que com escolas e saúde pública. Logo, não é de se espantar que a população carcerária esteja extrapolando cada dia mais. O que mais se pode esperar de uma população que não tem garantidos os seus direitos e vive de políticas assistenciais? Um povo sem educação, cultura, sem saúde, sem civilidade, sem dignidade, não costuma ver outra opção a não ser tornar-se uma verdadeira fábrica de bandidos e fazer das prisões as universidades do crime.

Vivemos em um país, senhores, em que o Governo oferece o preservativo a quem quer fazer sexo (e já estão fazendo isso em escolas de Ensino Fundamental para alunos do 8º e do 9º ano, com idade entre 12 e 16 anos). Para quem faz sexo sem preservativo, recebe-se de graça a pílula do dia seguinte (e o exame de sangue gratuito para quem quer saber se foi contagiado com o HIV). E também a Bolsa Família" a quem resolveu seguir com a gravidez indesejada e não tem como sustentar o filho. E a "isso" podemos chamar de "planejamento familiar" oferecido pelos nossos governantes. O Auxílio Reclusão (salário pago a presos com família) chega a quase mil Reais, sendo que há centenas de milhares de trabalhadores que recebem apenas o salário mínimo de R$ 622,00, não importa quantos ele precise sustentar.

Além de termos que pagar por tudo isso e sustentar os políticos e as suas infinitas mordomias, ainda temos que aturá-los a gritar aos quatro cantos do mundo, com grande hipocrisia, que o Governo Brasileiro está investindo cada vez mais em Educação, que o País não pode ser a favor do aborto porque isso é um assassinato, que constroem hospitais de referência por todos os lados, ou que cadeias estão sendo construídas... 

E é estupefata (porque não podemos permitir-nos jamais a perda da indignação) e com muita vergonha que eu lhes digo, senhores, se o ministro da Justiça, senhor José Eduardo Cardozo, preferia morrer a passar alguns anos em nossos presídios: eu preferia deixar meu filho sem estudar a ter que colocá-lo em uma escola pública para vê-lo transformando-se em mais um ser humano medíocre como tantos que essa educação brasileira tem formado. Lhes digo que é mais digno morrer abortado a ter que viver de forma humanamente miserável nesse País que nega a seus cidadãos o direito a liberdade de ser, viver e pensar. Eu prefiro morrer em casa a ter que ser humilhada, mal tratada ou ter que enfrentar filas descomunais em hospitais públicos sem esperança alguma de ver a cara de um mísero médico que me atenda de modo decente. E digo mais, eu preferia a morte como pena para esses bandidos de colarinho branco a ter que vê-los cometendo tantos crimes sem sequer passar pela porta de uma prisão, por pior que ela fosse, ou saindo dela como se nada tivesse ocorrido.

E assim é a vida no País considerado a sexta economia capitalista mundial, mais conhecido como Brasil. Vem viver aqui ONU, vem!


Vocês estão criando uma população sem nada a temer: isso pode ser muito perigoso!



3 comentários:

  1. BRASIL MISCIGENADO COMENTOU NA FAN PAGE DO FACEBOOK: Muito bom o teu texto. O desabafo-conselho do ministro Cardozo pegou a todos nós de surpresa. O triste nesse desabafo-conselho do ministro da Justiça de Dilma é que a opção pela morte não é pela vergonha das razões da condenação - a desfaçatez moral, a corrupção, a fraude, o engodo, a hipocrisia, os malfeitos - é só por uma questão de privação do conforto, da quebra no padrão de vida que desfrutam os proprietários da democracia que inventaram para si mesmos. O ministro morreria de desgosto por perder as regalias de um bon vivant. Enquanto isso, nós, pobres mortais, morremos diariamente de vergonha com a falta de caráter, de ética, dos homens que se instalaram no poder.Não sou favorável à pena de morte mas, que tem que haver uma reforma no Sistema Judiciário e penal brasileiro, disso não tenho dúvida.
    há 41 minutos · Curtir (desfazer) · 1

    EU RESPONDI NA FAN PAGE DO FACEBOOK: Entendi exatamente qual foi a posição do Ministro diante da situação de nossas cadeias. Também não sou a favor da pena de morte, isso é o que dizemos, escrevemos, pensamos no calor da hora. Pessoas não foram feitas para serem assassinadas e essa é outra questão a ser discutida (a banalização da vida). O caso é que esse é um sistema absurdo o que vivemos. Uma população com uma vida digna cometeria menos crimes. Assim sendo não haveria necessidade de tantos presidios, os quais deveriam servir como lugar para revisão dos erros e não como lugar de aprendizado a cometê-los de modo pior. Mas infelizmente esse sistema está criando uma humanidade que desconhece até quais são as suas verdadeiras necessidades básicas. Logo, como é que irão exigir o que devrriam de seus governantes? E para os políticos isso é fantástico (e falando em fantástico, está aí a Rede Globo, a maior aliada desse sistema no Brasil, que não me deixa mentir, infelizmente neste caso, devo dizer): o que a população quer? Comprar carro, viajar no feriado, muita cerveja, futebol e outras alienações e ladrões de galinha e outras vítimas desse sistema nas podres cadeias? Ótimo, então é isso que a população tem.
    Medimos nossa qualidade de vida pelo nosso poder de consumir o supérfluo. Mas a nossa população já perdeu a capacidade até de definir o que é supérfluo. Conheço pessoas ricas, com toda possibilidade de adquirir verdadeiro conhecimento cujas ações, infelizmente, só tornam mais forte esse sistema absurdo. Se aqueles que comem todos os dias não serão aqueles que iniciarão uma Revolução contra tudo isso, quem o fará? O faminto incapacitado de raciocínio próprio? Onde é que vamos parar com essa proliferação de neanderthais contemporâneos?
    haja INvolução!

    Obrigada por haver lido e pela oportunidade. Abraços.

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  2. Os meus parabéns solidários pelo teu lúcido grito de revolta, contra a injustiça e o desgoverno político que inferniza a tua vida, no que ela tem de mais íntimo e central, o futuro do teu filho, assim como as perspectivas e a vida de todo povo brasileiro.
    Mas sendo inevitavelmente a situação actual o resultado de políticas que não foram adequadas ao progresso social e económico.
    Inverter no curto prazo esta situação, deve ser uma quase impossibilidade, considerando o panorama cultural, social e político brasileiro actual.
    A dimensão dessa evidência, provoca nas pessoas uma sensação de impotência para a melhoria significativa desse estado de coisas, interiorizando-a como se ela nunca mais venha a acabar.
    Sentimento similar a esse, muito marcado pela permanente e imutável opressiva injustiça, que se sentia no tempo do fascismo em Portugal.
    Mas que afinal acabou, e de repente, com grande alívio e alegria geral.
    Tal como desejo que aí aconteça, inflamada “Pasionara de Paragominas”, mas sinceramente, sem divisar como e com que forças.
    R…..

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