quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

E a consciência sobre o trânsito é só algo mais que precisa amadurecer neste "Município (cada dia mais) Verde"...


Este é um tipo de acidente que se tornou banal em Paragominas.



Tendo sido fundada em 1965 e não tendo ainda nem sequer 150 mil habitantes, Paragominas (já????) é uma cidade com um trânsito caótico. Os acidentes são diários e as mortes têm se tornado cada vez mais ocorrentes. E, desse modo, crianças e adolescentes estão sendo assassinados com uma frequência que assusta.


Somos conscientes (porém apáticos) de que vivemos em um País cuja população não pode contar com bons serviços de transporte público. Cujos políticos, por motivos muito torpes e interesses muito pessoais, ao invés de trabalharem em prol da melhoria deste tão necessário serviço, seguem facilitando a compra de veículos particulares, deste modo contribuindo de forma negativa para esta já tão caótica situação que é a violência no trânsito, no Brasil, a qual anda matando mais do que muitas guerras.

Vivemos em um País cuja população (que ainda mede a sua qualidade de vida pelo seu poder de consumo), carente tanto de educação moral quanto científica, tem, a cada ano, abarrotado mais e mais as ruas de seres insanos e completamente incapacitados de conduzirem um veículo, seja lá de que tipo for, usando-os como verdadeiras máquinas de matar. E no chamado "Município Verde" (estou vendo a hora de nos transformarem todos nos "Meninos Verdes" de Cora Coralina) a situação não é diferente.

Não é diferente simplesmente porque não basta comprar um carro, é preciso também ostentá-lo e tornar-se um prepotente egoísta dentro dele. Não basta pilotar uma moto, é preciso imaginar-se em uma pista de motocross e andar com ela pela cidade numa velocidade absurda, como se ninguém mais existisse em volta. Não basta adquirir um veículo para facilitar o ir e vir do dia-a-dia, é preciso ter mais pressa do que quem está a pé pelas ruas e não ter nenhum respeito pela vida que transita por ali o tempo todo. Não basta ter adquirido o direito a atravessar a rua pela faixa de pedestres, é preciso andar no meio de ruas e avenidas e rodovias a disputar espaço com as centenas de veículos que por ali transitam. Não basta ser um ciclista e estar exposto a riscos pelo simples fato de estar em uma bicicleta em meio a tantos veículos pesados, é preciso agir como se esta também não fosse um veículo e andar na contra-mão, agir como se quem vem atrás pudesse adivinhar qual será a próxima atitude de quem está sobre a bicicleta e mesmo andar sobre as calçadas como se não estivesse sobre rodas, desse modo tirando o direito e a segurança de quem é realmente pedestre.

Isso tudo é um pouco do que ocorre diariamente no trânsito de Paragominas. Uma cidade onde não se pode contar com calçadas, porque, quando simplesmente não existem, são intransitáveis, pelo desavergonhado não cumprimento do código de postura, pois, sendo uma extensão da via pública e não pertencente ao dono do terreno que está por trás dela, a calçada tem na sua construção e na sua manutenção uma responsabilidade do poder público, o qual deve tomar providências seja quanto à ausência destas, ou quanto a sua utilização de modo indevido, como usá-las para entulhos ou materiais de construção, como extensão de lojas, bares e mesmo de restaurantes, dificultando e até impedindo o pedestre de utilizá-las. E numa cidade onde o pedestre prefere andar no meio da rua junto com os carros, dando a impressão de que nunca viu asfalto na vida, a existência de calçadas transitáveis é fundamental.




Uma cidade onde não há rede de esgoto (as ruas, com ou sem asfalto, têm sempre aquele maldito esgoto escorrendo a céu aberto, uma realidade muito comum nas cidades paraenses) e onde não há ciclovia. Cuja administração municipal juntamente com o departamento de trânsito deram a pedestres completamente desinformados o direito de, pela faixa de pedestres, atravessar a rua quando bem entendessem (imaginem o caos que isso causa quando motoristas se sentem superiores apenas porque estão dentro de um veículo e acreditam que o pedestre só existe para atrasá-los e/ou atrapalhar o trânsito, e quando pedestres são revoltados por não possuírem o mesmo "status" de quem está no veículo e resolvem vingar-se (que absurdo!), atravessando a faixa sem nem ao menos olhar para o lado e a "passos de tartaruga", apenas para irritar quem está no veículo, que, aliás, foi obrigado a parar bruscamente, muitas vezes provocando acidentes, porque simplesmente não tem como adivinhar que alguém vai de repente atravessar a rua), quando antes esta administração municipal deveria tratar de educar essa população, ensinar-lhe os seus deveres, ao invés de distribuir-lhe direitos, quando esta não tem nem sequer consciência de suas obrigações. Certo estava Luiz Carlos Prates quando corajosamente afirmou na TV que "qualquer miserável agora tem carro".

Porque não existe a menor importância quando um piloto de uma moto não usa capacete . Isto não é problema de quem está à volta dele, pois deveria partir dele a iniciativa de proteger a própria vida. Logo não é algo com o qual o departamento de trânsito deveria se ocupar. Mesmo porque, se um piloto desprotegido se acidenta sozinho, está afetando tão somente a ele mesmo. Problema de todos é um condutor que dirige alcoolizado. Problema de todos é ter que conviver com pilotos frustrados que descarregam suas irrealizações em uma moto em alta velocidade em plena zona urbana. Problema de todos é aquele delegado que resolve estacionar em vaga para deficiente porque ele se considera superior a todos e cheio de direitos que não possui, pois está certo de que não será punido por suas atitudes disparatadas. Problema de todos é o departamento de trânsito (ainda???) permitir a compra de carteiras de habilitação (e o fato de não podermos comprovar, não significa que isso não ocorra). Problema de todos é o Governo popularizar a compra de carros, motos entre outros veículos a uma população que além de não possuir uma boa escolaridade, não conta com pavimentação decente, muito menos com rede de esgoto, nem com ruas sinalizadas ou agentes de trânsito em número suficiente para que haja uma fiscalização de fato. Uma população que também não recebeu educação de trânsito e consequentemente não tem a menor noção das leis que deve obedecer quando compõe esse trânsito e sem a menor consciência de que também neste universo o maior é responsável pelo menor. Portanto, quem conduz um caminhão tem mais deveres e cuidados do que aquele que conduz um veículo, que tem mais deveres e cuidados do que quem conduz uma moto, que por sua vez tem mais deveres e cuidados do que quem conduz uma bicicleta, que também possui mais obrigações e cuidados do que quem está a pé. Porque pode ser piegas, ridículo, repetitivo, mas vale aqui lembrar a máxima que nos diz que "mais vale perder um minuto na vida do que a vida em um minuto".

É preciso lembrar todos os dias que vivemos em sociedade e que, para que esta funcione de forma harmônica, faz-se necessário que hajamos com civilidade, que nada mais é do que exatamente isso: a capacidade de vivermos em sociedade de forma harmônica, conscientes não somente de nossos direitos (que terminam quando começam os do outro), mas principalmente de nossos deveres. É preciso lembrar todos os dias que a vida do outro tem valor (sim!!!) e importância. E não apenas pelo que ele tem, mas pelo simples fato de que ele É (no sentido mais profundo que pode possuir o verbo SER). Ele está aqui e talvez com uma missão mais importante que a sua. Porque o trânsito lá fora não é uma guerra. É o ir e vir diário de pessoas que, tanto quanto você e eu, ainda que nem saibam de fato, só estão tentando o óbvio: viver.






2 comentários:

  1. Parabéns Aless, pela forma clara e abrangente (até às suas origens), com que este problema de circulação das pessoas e das viaturas,na sua cidade, se põe.
    Quadro que,certamente, sem dificuldade, se pode transpor para outras cidades de outros países e continentes.
    E aí ficou quase tudo dito!

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  2. Olá, R... :)
    Muito obrigada! :)
    Um grande beijo!

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