quinta-feira, 28 de março de 2013

E foi assim que eu consegui me livrar da vergonha, reconstruir o meu orgulho e sublimar o meu amor por você.





Ter borboletas no estômago é formidável.
Mas é muito melhor vê-las livres no Universo ao nosso redor.

A música do link abaixo é para você.

http://www.kboing.com.br/the-piano-guys/1-1196294/







Pois é... Então a raiva cedeu lugar à vergonha... E me fez perder o orgulho de andar ao seu lado. Será que eu vou voltar a fazer isso? Caminhar ao seu lado... 

Nunca pensamos no que é que nos move a caminhar com alguém. Lado a lado com alguém. Ou naquilo que nós movemos ao caminhar com alguém. Todo o infinito do Universo que surge de cada lado do corpo. Todo o infinito que enfrentamos, que adentramos a cada passo dado ao caminharmos lado a lado com alguém. E eu sentia um orgulho imenso de fazer isso ao seu lado. 

Eu andava com você de cabeça erguida, sem medos, sem receios, certa de que eu tinha um homem com todas as letras ao meu lado. Com você eu descobri que eu posso ser protegida ao invés de apenas proteger (eu sou mãe, mas também sou mulher e você me lembrou disso). 

Ir ao seu encontro era formidável! Porque eu estava sendo esperada... E seria recebida. Eu seria amparada, envolvida... E poderia me entregar a tudo que lá fora me tolhia. Porque nem tudo se pode fazer lá fora, apesar de todo o orgulho (que eu tinha). 

Porque foi inacreditável o modo como você chegou. Quase indizível! Porque eu quase não acreditei quando me pus de pé e meus olhos não conseguiam acreditar na estatura que a minha mente dava a você: “Mas se ele é enorme, como ele pode ser da minha altura”?! É que a minha mente estava enxergando o seu ego... Só (muito) mais tarde eu entendi. 

Então você veio de novo... E meu universo inteiro entrou em festa. "O que é ele? Por que tudo está sendo sacudido? O calor na pele se acentuou. O seu olhar! Que olhar é esse que me faz querer caber inteira ali? Eu não posso me arriscar a perder nem sequer um segundo desse olhar. E o meu corpo? Está eufórico! Eu passaria milênios ao lado dele"!

"Já sei, deve ser desejo. O tal do sexo. Mas então por que essa sensação de que, se o meu corpo roçar no dele, nossas almas irão se fundir? Não. Não deve ser nada. É só sexo. O desejo sexual nos engana muito. Prazer. Deve ser só isso". 

E o encontro de corpos se deu... E o óbvio: minha alma se fundiu na sua. E, então, aquilo que me movia a buscar a sua mão a qualquer momento do dia não era desejo, não era só sexo. O que me fazia estranhar a sua ausência, aguardar a sua próxima mensagem, a nostalgia de sentir o seu cheiro, a necessidade de sorrir com você não era sexo. A preocupação por você estar se sentindo mal e eu não poder estar ao seu lado para te ajudar não era a busca desenfreada por prazer. A vontade enorme de estar perto de você e constatar a possibilidade da desintegração do tempo não era sede de orgasmo... Era amor. 

Pois é... Mas a decepção cedeu lugar à vergonha... E eu perdi o orgulho de estar com você. Como é que eu vou caminhar ao seu lado com dúvidas sobre se alguém esteve ali em meu lugar antes de eu chegar ou se estará logo depois que eu for embora? Como é que eu vou chegar com medo de que alguém já tenha estado, ou já esteja ou vá chegar? Alguém para ocupar o mesmo espaço, receber o mesmo olhar, ver o mesmo sorriso... E esfacelar o meu orgulho de você. Pisoteá-lo até deixá-lo em pedacinhos impossíveis de serem novamente inteirados. 

Então o meu amor em plena expansão encontrou barreiras. Deparou-se com paredes, grades, portas fechadas, janelas gradeadas... O meu amor em plena expansão viu-se impossibilitado de seguir crescendo. E me deu muita tristeza ter que vê-lo definhar, retroceder, murchar, perder as forças. Então o meu universo começou a perder a possibilidade de se expandir. O furacão que eu sou começou a perder espaço. Não que eu não consiga ser brisa, porque brisa eu também às vezes sou. Mas brisa também não para. Porque o amor foi feito para crescer e não para ser contido. 

Se eu não puder escancarar pela cara, pelos olhos, pelos poros o orgulho de amar você, eu serei sufocada pelo meu próprio sentimento... Então eu deixarei de amar a mim. Que é a condição primordial para conseguir amar a você. Se eu andar ao seu lado com vergonha, eu deixarei de ter respeito por mim. Que é a condição primordial para ter respeito por você. Se eu me humilhar para nutrir por você um amor ínfimo, não tardará o dia em que eu desejarei ver você humilhado. E  o meu amor é forte demais, mas não para sujeitar-se a isso. Porque o meu amor é grande demais, mas nele só tem espaço para nós dois. 

Então eu só tenho a lamentar a sua incapacidade de decisão. Eu só tenho a me decepcionar com o seu esburacado ego que precisa ser inflado o tempo todo por vários ventos, já que não consegue manter-se cheio sozinho. O seu enorme e mesquinho ego que precisa sobreviver de pequenas e breves brisas para manter-se inflado, ao invés de satisfazer-se com uma única e constante ventania (que também sabe ser brisa). Porque o meu amor é lindo demais para sujeitar-se a te ver definhando em busca de brisas passageiras que inflem o seu perdido e indeciso ego que, se não for reparado, passará a vida como um balão perdido secando e definhando ventos sem nunca estar completamente cheio, ainda que com a presença de um furacão como eu.

Eu preciso de espaço seguro para expandir. 

Eu nunca quis ser a primeira da fila. 

Porque eu nunca quis estar em fila alguma.

Porque atrás de mim não pode haver ninguém.

Mais de um furacão não sobrevivem no mesmo espaço. 

Ao contrário, a força de um afasta o outro.

E o tornado que eu sou não disputa terreno. 

Se o terreno não estiver vazio, o tornado vai embora.

Porque se atrás de mim não pode haver ninguém, em minha frente só pode haver um, você.


Obrigada pela possibilidade de me fazer ver o quanto eu sou imensa por ter a capacidade de amar você.




Sugestão:




4 comentários:

  1. Está lindo Alessandra Garuzzi. Coisas lindas, ditas por uma pessoa linda, com uma alma linda!

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  2. Gosto,ainda mais da possibilidade de um dia poder entender todas as metáforas.

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  3. Hehehehehe... ah, as metáforas. A ligação brutal e também delicada entre o mundo visível e o invisível... e também a ligação brutal e delicada entre as coisas e aquilo que vai dentro de nós mesmos. Metáforas nos mostram que existem pelo menos duas formas de ver as coisas e nos permite reparar na diversidade do enxergar, do explicar, do sentir, do demonstrar as coisas. Pela metáfora eu tentei explicar que não há amor que dure, ou que seja grande demais quando não há confiança entre o ser que ama e o ser amado, ou entre seres que se amam.

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