segunda-feira, 20 de maio de 2013

Dos transes matinais dos meus esperançosos dias... - 2







Depois de Tudo te Amarei


Depois de tudo te amarei 
como se fosse sempre antes 
como se de tanto esperar 
sem que te visse nem chegasses 
estivesses eternamente 
respirando perto de mim. 

Perto de mim com teus hábitos, 
teu colorido e tua guitarra 
como estão juntos os países 
nas lições escolares 
e duas comarcas se confundem 
e há um rio perto de um rio 
e crescem juntos dois vulcões. 

Perto de ti é perto de mim 
e longe de tudo é tua ausência 
e é cor de argila a lua 
na noite do terremoto 
quando no terror da terra 
juntam-se todas as raízes 
e ouve-se soar o silêncio 
com a música do espanto.

O medo é também um caminho. 
E entre suas pedras pavorosas 
pode marchar com quatro pés 
e quatro lábios, a ternura. 
Porque sem sair do presente 
que é um anel delicado 
tocamos a areia de ontem 
e no mar ensina o amor 
um arrebatamento repetido

Pablo Neruda


De repente surge Neruda. E depois de lê-lo, eis aí o meu transe...

GeoGrafia





Ter noção sobre um amor ao vê-lo geograficamente descrito. Saber quanta geografia cabe em um grafar descabido. Concluir que não há medida geográfica que meça um amor assim desmedido. E reparar no quanto há de sentimento num mapear de letras sem sentido.

Um sentimento geográfico?
Um geógrafo sentimento descrito?


Geografando versos, vou palavreando as linhas que decifram uma enorme distância. E não há geologia que explique o afastar, o reaproximar, o regredir e o expandir de tão desmedida ânsia. E, no inevitável movimento dessas magnéticas terras, ora uma se afasta, ora a outra aceita a mudança. E no atritar pelos movimentos que sempre as reaproxima, não tem jeito, uma não se contém, e ingenuamente avança.

Geografia num sentimento?
Letras num mapear sem sentido?

Sigo mapeando em palavras os meridianos encontros de amores tão paralelos. E geografando uma alma composta de traçados sentimentos, descubro um solitário corpo vivendo de atropelos. Para um amor desgovernado e um sentimento que não possui geografia, não há letra que baste para mapear sua grafia.

E para que o derramar de quentes palavras derreta terra tão fria, grafo, grafo no geo, até formar GeoGrafia. E esse é o fim da História. O resto virou poesia.






Você já foi mais feliz.
Seus passos já foram mais seguros.
Seu riso já não tem se exposto.
E a voz já não brada com o mesmo vigor.
Já não vejo horizonte em seus olhos.
O corpo adquiriu outra postura.
Quanta falta de estímulo pela falta de outro.
Talvez porque ver seja para muitos.
Enxergar seja para poucos.
Mas reparar, isso só para os raros.




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