sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Dos transes sonolentos... - 2





Essa é a cabeceira da minha cama preparada para a pintura... E, apesar de já dormir nela há mais de 25 anos, se não fosse a observação feita pelo Anderson, eu nunca haveria associado esse coração com treliça a 'amor aprisionado', ou 'amor gradeado, 'necessidade segurar um amor'... Embora, agora me lembro, esse 'coração gradeado', como disse ele, a vida toda tinha me incomodado cada vez que eu olhava pra ele. Sempre me dava vontade de abri-lo, deixá-lo aberto, livre... Ou fechá-lo de uma vez.


Essa observação me fez querer acreditar que os meus amores estiveram sempre aprisionados... Isso se eu for levar em consideração o facto de que, todas as vezes que eu os encontro, eles na verdade já foram encontrados, seja por outra mulher, pela música, pelo mundo, pelo teatro, pelo sexo fácil ou mesmo por várias das alternativas anteriores de uma vez.

Então, tudo que eu poso fazer é deixá-los ir porque eu concluo que cheguei tarde. Então eles se vão, mas não sem antes eu me obrigar a conhecer o máximo possível os lados negativos deles, porque desse modo eu encontro algo que me ajude a me conformar com as 'meio-chegadas', as 'meio-estadas', as 'meio-dedicações', os 'mínimos pedaços a mim doados', porque os 'máximos pedaços' já têm outra direção e, fatalmente, um modo de me ajudar a me conformar com as partidas desses amores.

Enfim... não sei se estou me deixando levar pelo cansaço de um dia puxado de trabalho (muito cansada de facto) ou se pela tristeza por haver notado mais um encontro aliado a mais uma despedida. Mais um suposto provável amor 'aprisionado' que irá partir (quanta contradição). 

E assim, restamos sempre eu e minha ânsia por amar. Eu e minha louca sede de amor. Eu e minha insana tendência a me atirar de precipícios. Eu e meu sonho cego por me entregar de corpo e alma que me faz renascer das cinzas todos os dias... Porque, do alto do meu extremismo, eu nunca quero nada pela metade. Porque tudo tem que estar em mim por inteiro assim como por inteiro eu estou no outro. Porque tudo que importa é o hoje. Então eu quero tudo pra agora, nesse minuto. E se não puder ser pra agora, nesse minuto, eu não vou esperar que seja amanhã, porque o amanhã não existe. Porque o que eu quero é pra agora. Porque amanhã... amanhã eu não sei.



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