domingo, 1 de junho de 2014

Só amor não basta...





E relacionar-se continua sendo extremamente difícil...

Porque relacionar-se exige muito mais do que amor. Só amor não basta.

Não importa qual seja a relação, relacionar-se exige paciência, humildade, dedicação, interesse, aceitação, amor por si mesmo (antes de amar a qualquer outro), respeito, auto-respeito (principalmente), resiliência, compreensão...


Relacionarmo-nos exige que tenhamos consciência de que estamos contactando outro mundo: o mundo do outro. Que (lembremos sempre) é completamente diferente do nosso.

Cada um de nós é um mundo diferente. Não há nada igual. E até mesmo os gostos, que, de relance, podem nos parecer iguais, são diferentes, porque os adquirimos através de experiências diferentes. Só as nossas necessidades são parecidas, mas só parecidas, porque temos modos diferentes de satisfazê-las - todos temos fome, mas, será que a saciamos do mesmo modo?

Cada pessoa é uma galáxia imensa (de informações, de atitudes, reações e de possibilidades) completamente diferente uma das outras. E apenas amar essa imensa (e muitas vezes encantadora) galáxia não basta.

Ao nos relacionarmos conflitamos um incontável número de vezes, porque queremos que o nosso mundo (diferente e complexo) seja aceito, de qualquer modo, no mundo do outro.

Mas como é que o outro aceitará o nosso mundo se nem sequer nós o conhecemos direito?

Numa relação amorosa, por exemplo, quando ele fala magoado 'você não me compreende...', ele está mais confuso do que ela e nem sequer compreende a si mesmo, necessita dela e de seu amor e muitas vezes ambos se afastam porque ambos não se dão conta disso. Quando ela grita 'você nunca me amou!', está se sentindo mais mal amada que ele e louca por aceitação, necessita dele e de seu amor e muitas vezes ambos se afastam porque ambos não se dão conta disso.

É por isso que, muitas vezes, relacionar-se parece uma guerra. Porque impomos o que somos sem antes nem sequer sabermos quem somos.

Porque basta nos voltarmos para nosso próprio mundo decididos a conhecê-lo em seus mais mínimos detalhes para nos darmos conta do quanto é complexo e difícil e assustador e (como é) vasto! Extremamente vasto.

Ele tem áreas lindas, com paisagens planas, maravilhosas, encantadoras, tranquilas... Mas também tem lá suas áreas tenebrosas, com montanhas com topos inalcançáveis, abismos tenebrosos e tormentas que metem medo em qualquer um (até em nós mesmos, ou não seria tão difícil conhecermo-nos).

Conforme vamos conhecendo e nos aprofundando em nosso próprio mundo, simultaneamente vai-nos sendo mais fácil aceitar, conhecer, compreender e amar e querer perto de nós (e até mesmo ter em nós e mesmo não suportar a ideia de ter longe de nós) o mundo do outro. E, não. Não é uma tarefa fácil. Nem a tarefa de conhecer, aceitar, amar e ter por perto o mundo do outro, como tampouco é fácil a tarefa de ter que aceitar que o outro (por incontáveis motivos) simplesmente não quer nem conhecer, nem aceitar, nem amar e nem ter por perto o nosso mundo.

É por isso que existe o amor.

Que se sozinho tampouco basta, de todo modo, é a única chave para abrir todas as portas que necessitamos para conhecer não só o nosso próprio mundo, mas todos os outros e principalmente aquele mundo além do nosso que nos interessa muito mais que todos os outros.

Ter só amor não basta. É preciso saber usá-lo, porque só ele é fundamental para ter todo o restante.

Relacionar-se continua sendo muito difícil. Mas também continua sendo a melhor (e mais linda) forma de nos conhecermos, de evoluirmos, de nos amarmos e (já que nos resta viver e ninguém vive só) para continuarmos fazendo o que há de melhor nesse mundo: relacionarmo-nos.



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