sábado, 15 de novembro de 2014

Desiludir para libertar




A desilusão como caminho: você quer saber a verdade ou prefere permanecer iludido?   




E o texto acima me chegou numa época e foi lido por mim em outra, porque tudo tem o seu tempo. E o meu tempo de lê-lo foi agora. E o texto tem a ver com tantas (muitas) coisas. Acerca delas eu já havia lido e pensado de modo separado (outros textos, outros autores, outras fontes) variadas vezes. Mas nunca é demais reler tais temas, repensá-los e, ainda que seja muito duro, às vezes dizê-los.




E, entre tantas outras coisas, o texto tem a ver com a imposição dos diplomas em nossas caras que, apesar de não comprovarem sabedoria, tampouco capacidade alguma, nos oprimem a ponto de termos medo de discordar. Tem a ver com os cômodos anos de repetições dos mesmos (por que não dizer maus) hábitos que nos aprisionam em nossas zonas de conforto (conforto???), completamente imóveis e incapazes de mudar de posição, opinião ou costume por puro medo de descobrir e nos decepcionar com as mentiras que nos contaram e que por tantos anos cegamente vivemos.

Tem a ver com a nossa dolorida mudez diante da visão daquele que, ao lado de uma xícara de comprimidos que tomará após o café (e outra após o almoço e outra após o jantar) tem a capacidade de dizer que está muito bem de saúde (!!!!!). Tem a ver com o riso frouxo, nervoso e desesperado (ou a velha e estupefata estática) que te dá quando você ouve o médico dizer a sua paciente, (só para constar) recém operada pela retirada de um câncer, que ela está liberada para comer tudo. Tudo???? Mas quem (pelamordedeus), ainda que saudável, pode comer tudo??? Então você silencia, porque, afinal de contas, ele é o médico, o defensor da medicina alopática, aquela cujo próspero comércio (cada dia mais) é sustentado (e ricamente) pela enfermidade (e não pela saúde). Ele é o médico, seguidor daquela mesma medicina que nos enferma a todos e que, exatamente por isso, deveria ter a obrigação de nos curar, mas não cura... Apenas troca uma enfermidade por outra.

O texto tem a ver com aquele momento quando você diz que quer ter seu filho por parto natural e uma mulher (sim, uma mulher!!) te olha com uma cara de asco, pavor, estupefação antes de te perguntar se você é louca. Louca por quê??? Porque eu não quero abrir um buraco na minha barriga para retirar o meu filho quando eu já tenho um por onde ele pode sair. Tem a ver com o ter que conviver com dois sentimentos muito opostos: a ânsia quase desesperada de querer abrir outros olhos além dos próprios e a constatação dolorida e diária de que mudar a si mesmo, mais do que árduo, é trabalho solitário, porque o despertar de cada um tem momento certo e dependerá só de si mesmo. Tem a ver com a ignorância, que (pasmem alguns) não está restrita à pobreza. Porque pobreza nunca foi sinônimo de ignorância. Porque a ignorância está por todo lado, desde a favela às salas das universidades mais caras, desde os casebres às mansões, desde o pobre submisso sustentado pelos programas sociais ao rico esperto (dito) pagador (ou seria sonegador) de impostos. E esperteza nunca foi sinônimo de sabedoria (eu aqui, ainda prefiro ser boba).


O texto tem a ver com a constatação de que, por maior que seja o número de amarras e vendas das quais tenhamos nos livrado, sempre nos depararemos com outras mais. Enfim, é a vida que segue... E, no seguimento dela, a evolução é (deveria ser) constante. E o ônus pela liberdade (libertação) é altíssimo... Eu sei... E, apesar da consciência de que eu ainda tenho infinitas vendas e amarras por me livrar, esse (o ônus pela liberdade – o despertar – a libertação) é um preço pelo qual eu estarei sempre disposta a pagar.


Eu sou Alessandra Pereira Garuzzi, Licenciada Plena em Letras, bilíngue (qualquer dia desses, poliglota) com muito orgulho. Porque talvez seja esse o único curso que nos dê acesso a todos os outros, porque nele estudamos a palavra (e tudo que a envolve). Porque é pela palavra (seja ela escrita, oralizada ou mentalizada) que aprendemos todas as coisas. Inclusive que não sabemos tudo (na verdade, quase nada. E isso quem me ensinou foi a Biblioteconomia, também sou bibliotecária técnica).



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