domingo, 28 de dezembro de 2014

Da insensatez dos ignorantes




Resposta de um nordestino contra o preconceito viraliza na internet



“É muito fácil julgar o voto de um povo pobre dirigindo uma Hilux até o escritório de sua empresa”. Resposta de cearense contra as manifestações de ódio e intolerância aos nordestinos se torna viral na internet.

(matéria e vídeo no link abaixo)



E eis que diante de nossa ignorância não nos damos conta da importância e dependência que temos do outro até mesmo para nos autoafirmar, seja lá com o que for.



Eu nunca tinha visto um período eleitoral tão violento, tão agressivo, tão separatista, tão elitista...
Tampouco, em função do desespero, vi tantos argumentos absurdos para eleger o 'menos pior' das péssimas opções que tínhamos como candidatos a presidente.

É lendo notícias sobre Política, Economia, situação social mundial que me dou conta do quão ignorantes e involuídos ainda somos.

Somos prepotentes, egoístas, arrogantes. Temos tanto complexo de inferioridade e tanta baixa autoestima que necessitamos sentir-nos superiores a tudo e a todos para nos compensar de alguma maneira. Nos sentimos superiores ao pobre porque nos consideramos ricos. Nos sentimos superiores a quem prefere A porque preferimos B, a quem mora na favela porque nosso bairro é considerado nobre...

E, desse modo, ridicularizamos o sotaque, o modo de vestir, a falta de dinheiro, o modo de agir, de falar, de viver. Ridicularizamos a falta de dinheiro do outro, a falta de oportunidades do outro, a baixa escolaridade do outro, a cor da pele do outro, o sexo do outro, o meio de transporte do outro, a comida do outro, a casa onde mora o outro, o bairro onde mora o outro, a cidade, o Estado, a Região, o País...

Por questões econômicas (o maldito consumismo que nos escraviza e nos esvazia a mente) nos convencem de que, se não seguirmos e não mantivermos determinadas convenções e status sociais, não seremos gente, não seremos pessoas, não teremos a menor importância como ser humano.

E, além de não alcançarmos seguir de facto todas essas malditas convenções (o que nos faz insaciáveis consumistas e a medir nossa felicidade pelo nosso poder de consumo), ainda discriminamos, ridicularizamos, diminuímos e desprezamos quem não pode ou simplesmente não quer nem sequer começar a seguir os ditos padrões ou convenções programados para nos escravizar.

Pelo nosso tempo de existência nesse Planeta, já deveríamos ser conscientes de que "o sistema inteiro que nós vivemos nos convence de que: nós não temos poder, que somos fracos, que a sociedade é do mal, que somos fragmentados, etc. Isso é tudo mentira! Somos poderosos, bonitos e extraordinários. Não existe motivos para não buscarmos entender o que nós realmente somos e para onde vamos. Não existe motivos para cada indivíduo não expressar o seu poder. Nós somos seres incrivelmente poderosos" (Zeitgeist Movement).

No entanto, "na nossa cultura somos treinados enxergar as diferenças. Você olha para cada pessoa e logo a classifica como: esperta ou burra, velha ou jovem, rica ou pobre. Criamos todas essas distinções, colocamos em categorias e as tratamos assim. Chegamos a um ponto que vemos apenas as coisas que são diferentes nos outros. E uma experiência dramática é estar com outras pessoas e notar as semelhanças que existem entre vocês e não as diferenças. Ter a experiência de que a essência em mim e a essência em você é a mesma. É a compreensão de que não existe o 'outro'. É tudo UM" (Zeitgeist Movement).


A meta é dividir para conquistar e, completamente cegos, vamos nos deixando ser divididos e, obviamente, conquistados, controlados, manipulados, dominados... "A pessoa, o eu, o sujeito, o cidadão e o ser humano aceitam, exigem, imploram serem governados, isto é, acossados, adestrados, advertidos, amedrontados, analisados, anotados, aprisionados, avaliados, caçados, calculados, censurados, cevados, comandados, comparados, comprados, corrigidos, decompostos, dirigidos, doutrinados, emudecidos, escravizados, espancados, espionados, esquecidos, exercitados, explicados, explorados, exterminados, extorquidos, fuzilados, guardados, igualados, iludidos, impedidos, inspecionados, interpretados, julgados, legislados, maltratados, medidos, multados, mumificados, negociados, pressionados, prostituídos, recenseados, reciclados, reformados, registrados, regulamentados, reprimidos, reprovados, roubados, sacrificados, tarifados, utilizados, vendidos: tudo em nome da pátria, da história, da natureza, das leis, de deus: como se tudo isso não fosse laboriosa e dormentemente criado, reproduzido e imposto em profunda hipóstase pela própria manada" (Alberto Lins Caldas).



No entanto, é muito bom saber da existência de pessoas que, apesar de todos os prós que encontra pelo caminho, consegue manter a liberdade de simplesmente ser. Porque humanos somos todos, ainda que alguns já estejam cegos demais para ver.

Parabéns pelo vídeo, Bráulio. Alguém mais além de Bill Hicks precisa nos lembrar de que "a vida é só um passeio". Foi uma lição para todos nós.








"Graças à manipulação da sociedade, através da criação do medo e divisão, a cultura tem sido inibida. Religião, patriotismo, raça, riqueza, classe e qualquer outra forma de classificação separatista tem servido para criar uma população controlável, maleável nas mãos de poucos. Dividir e conquistar é o modelo. Enquanto as pessoas se enxergarem como sendo separadas de todo o resto, disponibilizam-se a serem escravizadas. No entanto, se as pessoas perceberem sua conexão com a natureza e o nosso poder pessoal para criar a mudança, todo esse falso mundo que alimentamos irá desmoronar, como um castelo de cartas" (Zeitgeist Movement).


"Pensar “Política” deveria ser uma nova maneira de pensar. O ranço colado às palavras do universo político é cada vez mais aderente e tosco. “Política” no nosso tempo se parece a uma perua velha preocupada com o par de brincos do amanhã, se vai ou não usar na festa do “arraiar” do Seu Quizó. Direitas e esquerdas, ismos de todos os calibres, rótulos se desfazendo como as rendas no baú da vovozinha. (…) O importante é dar vida, abastança, dignidade, trabalho e esperança ao ser humano. O importante é arrancar as máscaras, recriar ação e palavra, mover-se corajoso, nítido, integro. Os cínicos dirão: isso não é Política, é poesia e ingenuidade. Que seja. è assim que seria para mim o verdadeiro homem político: poeta no seu sentido mais fundo, intenso e livre. Ingênuo a ponto de tomar para si mesmo a dor do outro. E tentar extirpá-la (Hilda Hilst).


2 comentários:

  1. Somos todos nordestinos. Eu, mineiro. Sou nordestino. Morei décadas no Rio de Janeiro e me fiz cada vez mais nordestino. Nas obras, nas feiras, nos túneis e metrôs me vi nordestino. Nas praças com repente, coco, xote, xaxado, maracatu, desafios nordestinei de vez. Fui para sumpaulo como manda o figurino. Levei nordeste comigo, gonzaguinha e gonzagão, novos baianos, caetano e gil. Com pompas e circunstâncias percebi que Villa-Lobos e a famosa Bachiana nº 5 tem nordeste puro em sua Dança do Martelo, homenagem a Cariri. Não carece perguntar mais nada. Cidadão brasileiro de inúmeras moradas, mora em minha alma um, dois, milhões de nordestinos.

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  2. Olá, Mauro. :)
    Sim, somos todos nordestinos, nortistas, sulistas... somos brasileiros. :)
    Grata pela visita. Um abraço.

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