domingo, 19 de abril de 2015

Da 7ª Arte - O Sorriso de Monalisa





Com o título inspirado em uma das obras de Leonardo Da Vinci, o filme trata de uma professora de História da Arte, Katherine Watson (Julia Roberts) que, com métodos pouco convencionais, lecionará em uma escola extremamente tradicional só para moças. No entanto, apesar de poder ser visto como mais um filme cuja temática envolve professor e alunos, "O Sorriso de Monalisa" pode ser muito útil se quisermos mostrar o valor da mudança em alguns momentos de nossas vidas. E, como bem podemos imaginar, se já não o sabemos, mudar o curso de coisas já estabelecidas quase sempre é algo bem difícil de ser feito.



Eu estava em meio à elaboração de um projeto para alunos do 9º ano do Ensino Fundamental, buscando materiais (livros, textos, filmes, artigos) que fizessem surgir temas para uma roda de conversa, quando lembrei de um filme que um professor, dos tempos da Universidade, nos fez assistir. Se eu estava buscando algo que gerasse temas para conversas ou debates, o filme O Sorriso de Monalisa, sem dúvida, seria uma ótima opção.

Embora o desenrolar da trama passe nos anos 50, o filme trata de assuntos muito atuais, como a prática do consumismo como meio de ser feliz ao mostrar a indústria tecnológica dominando, hipnotizando as pessoas por meio de propagandas apelativas. através do personagem Bill Dunbar, trata do comportamento antiético e machista do homem que, neste caso, mesmo relacionando-se com várias mulheres ao mesmo tempo, é ironicamente muito bem aceito pela maioria das mulheres da escola, sejam elas alunas ou professoras: uma prova de que a maioria das mulheres até critica homens cafajestes, mas, não raramente, tem algum por perto, seja aprovando seu comportamento ou mesmo se relacionando com ele. Trata do sexo livre que, apesar de na teoria ser muito bem defendido por todos, quando se parte para a prática, é muito mais comum criticar uma mulher que se envolva com um homem casado que o contrário. Uma situação muito curiosa tratada no filme é a da personagem Betty Warren (Kirsten Dunst), a aluna que mais defendia o sagrado matrimônio, que no fim das contas consegue descobrir, a duras penas, que casamento nem sempre é sinônimo de felicidade.

Como se nos convidasse a refletir, o filme contém algumas contradições, como por exemplo: ao iniciar o ano letivo, uma representante das alunas, formalmente, afirma estarem ali para despertarem seus espíritos por meio de muito trabalho e dedicarem suas vidas ao conhecimento. No entanto, é complicado entender por que tanta dedicação em despertar o espírito e se dedicarem ao conhecimento se todas as moças ali estão apenas a espera de um casamento. Outra contradição: Katherine Watson, muito embora tente fazer com que suas alunas se encontrem em suas próprias vidas, o que se nota é que ela mesma é uma mulher insegura, solitária, insatisfeita e nunca sabemos se está realmente feliz (O Sorriso de Monalisa). Isso é notório em sua mudança de cidade, o fato de decidir trabalhar em uma escola que não condiz com a sua realidade, em sua incapacidade de decidir o que realmente quer para sua vida amorosa e, como desfecho, depois de ser criticada, humilhada, continua na escola e aceita as regras desta, fazendo cair por terra todo seu ideal liberal-progressista. Mais uma contradição: a professora Watson é criticada e perseguida na escola por seus métodos considerados muito avançados para a época. No entanto, nada acontecia ao professor Bill Dunbar (Dominic West), várias vezes acusado de dormir e ter casos com as alunas, sem contar o facto de ele ter um passado duvidoso.

Sendo uma produção norte-americana, "O Sorriso de Monalisa" pode ser considerado um filme político, a julgar o ato de pôr em discussão a emancipação feminina, o homossexualismo, a importância da arte na criticidade, que, enfim, quer expor uma ideologia e provocar uma reação no público. Que coloca em discussão a importância de se notar que o professor pode fazer a diferença em sala de aula, bem como do professor notar a sua própria importância, cuja profissão vem sendo cada vez mais banalizada.

Mas é interessante a forma como colocam a figura do professor: sua importância é ressaltada sem que, no entanto, ele seja mistificado, endeusado, como quem sabe tudo e nunca se engana, haja visto o facto de que a personagem Katherine teve seu lado humano e imperfeito totalmente exposto em suas dúvidas, seus medos e fraquezas. Afinal, não é porque podemos ajudar que não necessitamos de ajuda. Ou, no caso dos mestres, não é porque ensinam que não precisem, de um modo ou de outro, continuar aprendendo.



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